Empresários do PR comemoram saída de Dilma
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

A confirmação do afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff foi comemorada ontem por representantes de entidades empresariais do Paraná e boa parte dos economistas. Eles acreditam que o impeachment traz segurança jurídica e política para o setor produtivo, que voltará a investir. Mas não esperam reversão imediata do atual quadro econômico.
"Não consigo imaginar como seria o dia de amanhã se a presidente voltasse", afirma o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo. Para ele, o veredicto do Senado, de imediato, traz esperança e muda as expectativas. "Agora sim o governo pode tomar medidas visando a retomada do crescimento", acrescenta.
Apesar de apoiar o novo governo, Campagnolo lamenta o fato de não haver nenhum sinal de que os juros serão reduzidos a curto prazo. "É um equívoco. Está todo mundo no vermelho, pagando juros altos. Isso prejudica muito a economia e estimula a especulação", critica. O presidente da Fiep diz esperar que o governo continue a incentivar o setor, conforme fizeram as administrações petistas de Lula e Dilma. "Mas é preciso que isso seja feito dentro de uma política de governo, assim como se faz com a agricultura. Falta uma visão de longo prazo para a indústria", reclama.
Recursos externos
Cláudio Tedeschi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), acredita que o impeachment trará mais recursos externos para o País em curto prazo. "O Brasil tem boas oportunidades. Se há segurança jurídica e política, o dinheiro vem", afirma. Ele alega que há "dinheiro sobrando no mundo" e acredita que os estrangeiros farão mais investimentos no Brasil a partir de agora.
A economia real, segundo Tedeschi, não sofrerá efeito imediato da saída de Dilma, mas a melhora do fluxo de investimento é o início de um processo. "Começa com a entrada de capital, que permitirá que os empresários invistam, construam novas fábricas. Isso demora a chegar no emprego e renda. Não é de uma hora para outra. Mas é o início do processo que levará a mudança na curva da economia."
Já o economista e professor da Faculdade Paranaense (Faccar) Márcio Massaro avalia que o impeachment muda imediatamente "todos os indicadores que dependem de expectativa", como câmbio e ações em Bolsa. "O que é físico não muda da noite para o dia." Emprego e renda só melhorarão quando as empresas precisarem dos funcionários. "E isso só acontece com o aumento do consumo."
Para Massaro, num primeiro momento vai contar mais a parte política do governo. "Temer terá de se legitimar no cargo porque tem muita gente no País dizendo que ele não tem legitimidade. Sem se legitimar não conseguirá aprovar as medidas necessárias para a economia voltar a andar", analisa.
BOLSA
Apesar do impeachment, a BM&FBovespa fechou em baixa ontem. O economista-chefe da Guide Investimento, de São Paulo, Ignácio Crespo Rey, explica que a saída de Dilma já estava "precificada" pelo mercado. No dia em que a ex-presidente foi afastada do cargo pelo Senado, 12 de maio, o Ibovespa fechou a 53.241 pontos. Ontem, encerrou a 57.901, ou seja, o principal índice da Bolsa brasileira já subiu 9% desde que a petista deixou o Palácio do Planalto.
Rey explica que o movimento de ontem esteve relacionado com a queda das Bolsas na Europa e nos Estados Unidos. E que a BM&FBovespa tem muito espaço para subir ainda. Mas isso depende de o novo governo conseguir implementar medidas de ajuste fiscal. "Se não conseguir avançar no ajuste, a Bolsa vai corrigir (para baixo)", declara. Ele lembra que, em 2008, antes da crise internacional, a Bolsa brasileira ultrapassou os 72 mil pontos.


