Curitiba Os empresários industriais do Paraná estão otimistas para 2004. A 8 Sondagem Industrial da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), divulgada ontem, mostra que de 400 empresas pesquisadas, 87,46% têm expectativas favoráveis. Esse é o melhor índice da série histórica. Outros 7,26% empresários estão pessimistas, e 5,28%, indefinidos.
Para o presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures, o ano que vem também será melhor do que 2002. ''O crescimento natural do Brasil ficou reprimido em 2002 e 2003. A vocação natural para o crescimento deve se manifestar no ano que vem'', opinou. Segundo ele, as incertezas de natureza política, em função das eleições e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se dissiparam. Além disso, o acesso ao crédito está facilitado pela redução no custo de crédito, já que a taxa básica de juros está hoje em 16,5%. Esses fatores vão colaborar para um ambiente econômico melhor em 2004, diz Rocha Loures.
''Mas ainda será um ano difícil para resultados, já que a carga tributária continua elevada e tende até a crescer'', ponderou o presidente da Fiep. Mesmo assim há boas expectativas para a produção industrial. Rocha Loures, proprietário da indústria de alimentos Nutrimental, deu um palpite de empresário: alta de 8%. ''Teremos uma safra prodigiosa, que vai refletir na capacidade industrial. O setor automotivo também tem condições de se expandir no ano que vem'', observou o chefe do departamento econômico da entidade, Maurílio Schmitt. Em 2003, a indústria paranaense deve fechar com crescimento na produção de 3%, mas com queda no faturamento. Até outubro, o valor das vendas reais estava com retração de 12%.
A carga tributária brasileira é o grande problema para enfrentar a concorrência. Para 75,52% dos empresários, os tributos elevados dificultam a disputa interna, e segundo 42,23%, a competividade internacional. Em vários quesitos, era permitido escolher mais de uma alternativa como resposta. A pesquisa tem margem de erro pré-estipulada em 10%.
Entre os empresários que estão otimistas com 2004, 35,97% dizem que vão fazer novos investimentos; 39,49% apostam em aumento das vendas; e 24,54% dizem que a oferta de emprego crescerá. Entre os 30 industriais pessimistas com a economia, metade diz que não fará investimentos novos.
A pesquisa mostrou que 84,64% dos empresários paranaenses pretendem fazer novos investimentos com recursos próprios. Mas 40,36% das respostas também apontam para ajuda governamental. ''O governo não tende a ser participante ativo no fortalecimento das indústrias. Dependemos, acima de tudo, de melhoria nas competências internas'', afirmou Rocha Loures. Segundo ele, o governo estadual costuma auxiliar na parte fiscal, mas o ''arsenal'' para isso está se esgotando.

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