Rolândia - A possibilidade de trabalhar em cooperação com seus próprios concorrentes está mexendo com a cabeça de um grupo de empresários do setor de alumínios, em Rolândia, Norte do Estado. O empresário Fábio Fernando Trevisan, por exemplo, sempre tocou seu negócio de forma isolada, sem muita aproximação com a concorrência, assim como acontece com a maioria dos empreendedores no Brasil. Há 15 anos, ele fundou a empresa GVM Indústria e Comércio de Alumínio Ltda, que atende todo mercado nacional com uma variedade de 700 produtos à base do metal.
Além da GVM, há outras 16 empresas no município que usam o alumínio como matéria-prima de seus produtos. E, embora o setor de alimentos seja predominante na cidade, a prefeitura sugeriu a criação de um Arranjo Produtivo Local (APL) de Alumínio, tomando por base a experiência similar bem sucedida em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná.
O processo de criação do APL está na fase inicial. Já foram realizadas algumas reuniões com representantes da Prefeitura, Sebrae, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e Associação Comercial e Industrial de Rolândia (Acir). O secretário de Desenvolvimento Econômico do Município, Ernesto Nogueira, acredita que o arranjo estará organizado em 90 dias.
A Fiep, segundo o coordenador de desenvolvimento, Jerri Adriani Chequin, fez um levantamento para mapear o potencial do setor não apenas em Rolândia, mas também nas cidades próximas. E como não há a obrigatoriedade de se criar um arranjo produtivo exclusivamente local, a federação sugeriu que a iniciativa se estendesse para a microrregião de Londrina. Em Rolândia, as 17 empresas geram 350 empregos e têm um faturamento anual estimado em R$ 16 milhões. Na região metropolitana o total é de 121 empresas com 3,6 mil trabalhadores.
Chequin explica que não existe um número mínimo ou máximo para a formação de um APL, mas é preciso que haja algumas características em comum entre as empresas. ''A produção deve ser voltada para o mesmo mercado, o fornecedor deve ser o mesmo e o cliente, na outra ponta, também deve ser o mesmo'', afirma.
O representante da Fiep ainda esclarece que a criação de um arranjo produtivo significa, antes de tudo, uma mudança de conceito na convivência empresarial. As empresas continuam sendo concorrentes em âmbito local, mas passam a realizar um trabalho de forma cooperativa visando o mercado nacional e até intenacional. ''O associativismo traz benefícios não só para a empresa, mas potencializa a geração de empregos, de renda, e ainda gera ações de cunho social'', afirma.
Chequin justifica, entretanto, que a mudança de conceito só acontece a médio e longo prazos e é preciso que haja uma pré-disposição do empresário para enfrentar a nova realidade.

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