Empresários discutem novos mercados em feira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de agosto de 2004
Da Redação 
Arapongas- Os empresários brasileiros do setor mobiliário não estão explorando alguns mercados externos como deveriam, ou seja, falta agressividade por parte da indústria nacional e do governo na conquista desses clientes. Em síntese, foi este o consenso entre os participantes de um seminário que discutiu oportunidades de negócios com países emergentes e parceiros comerciais do Brasil, entre eles, China, Índia, México, Estados Unidos e Canadá.
O encontro realizado em Arapongas (23 km a oeste de Londrina), reuniu representantes de Câmaras de Comércio de cinco países, da Associação Brasileira das Indústrias de Mobiliário (Abimóvel) e outros órgãos envolvidos com o comércio exterior.
Os chineses compram móveis finos de couro e madeira da Itália, país que não produz couro nem madeira. Compram suco de laranja dos EUA, sendo que os americanos não têm uma produção em série, compram café da Suíça, sendo que lá eles não têm cafezais. Isso tudo tem no Brasil, disse Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China.
Segundo ele, a China, cuja economia é a que mais cresce no mundo, tem conseguido enriquecer sua população mas sofre com a falta de qualidade de diversos produtos e também com a falta de matéria-prima. Por isso, apesar do país ser um dos principais exportadores mundiais, principalmente no setor de móveis, se o Brasil tiver eficiência na divulgação de seus produtos lá, vai conseguir exportá-los.
De acordo com Tang, em 2003 os chineses importaram em móveis o equivalente a três vezes e meio o que o Brasil exporta em um ano. Nos últimos anos, o governo chinês colocou na classe média 450 milhões de pobres e 20 milhões de chineses se tornaram milionários. Além disso, está levando desenvolvimento às cidades costeiras e ao centro-oeste do país. Na área de móveis, o país tem problemas de qualidade no produto, no design, e os exportadores de matéria-prima ficam muito longe. O Brasil tem qualidade no produto, no design e na madeira, disse.
Outro país emergente e mercado potencial para os móveis brasileiros é a Índia. De acordo com o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Tecnologia Brasil-Índia, Rômulo Thomé, o que favorece a entrada das indústrias brasileiras no mercado indiano é que eles não têm tradição no segmento. A silvicultura indiana é voltada para o bambu. Não há indústrias móveis de qualidade, não há design nem matéria-prima, e por isso precisam importar seus móveis de outros países. Atualmente, os principais exportadores para a Índia são a Alemanha e a Itália, declarou.
O México é outro mercado que o Brasil pode avançar, segundo um dos palestrantes do workshop. O Brasil e o México são grandes desconhecidos. São os dois maiores países da América Latina, mas não têm tradição no comércio entre si, disse Edmyr Piereck, vice-presidente executivo da Câmara de Indústria, Comércio e Turismo Brasil-México. Ele ressaltou que nos últimos anos cresceu o valor das exportações para o México, como no setor de móveis. Em 2000, foram exportados US$ 1,4 milhão. No ano passado, foram R$ 7,7 mi. Isso é resultado dos empresários que foram até lá para conhecer o mercado deles e vender seus produtos. Mesmo assim continuamos como o sétimo fornecedor de móveis para os mexicanos, concluiu.


