As altas taxas de juros e impostos, a falta de apoio do poder público e a queda da renda da população são as principais dificuldades apontadas pelos empresários da construção civil para o desenvolvimento do setor. Ontem, um debate sobre o mercado da construção em Londrina, promovido pela Folha, reuniu representantes de empresas e entidades ligadas ao segmento, da Caixa Econômica Federal e da Companhia de Habitação (Cohab), na sede do Sindicato das Indústrias da Construção (Sinduscon).
''As empresas estão trabalhando sem margem de lucro. Em toda a cadeia produtiva a carga tributária chega a 51%'', afirmou Luiz Carlos Pires, proprietário da Quadra Construtora. A MP do Bem, por exemplo, medida provisória que criou uma série de benefícios fiscais para aquecer a economia e os setores imobiliário e construtivo, não deve atingir todas as empresas pois tem suas limitações, conforme comentou a gerente regional da Plaenge, Célia Catussi. ''Nós sofremos muito com taxas como a do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins)'', disse Célia.
Outra questão abordada foi a dificuldade em se obter crédito para financiar construções imobiliárias tanto por parte de pessoas físicas como jurídicas. Os participantes apontaram a necessidade do alogamento das parcelas do financiamento, bem como a redução das taxas de juros. O gerente de mercado da Caixa, Rogério Pain, assegurou que o banco tem feito negociações vantajosas para o mutuário, como por exemplo a aprovação de um maior número de cadastros.
A estagnação da construção de habitações populares também foi um ponto abordado. Segundo um levantamento feito pelo Sinduscon, o segmento teve uma redução significativa na última década. A queda no volume desse tipo de habitação foi explicada pelo presidente da Cohab, Carlos Eduardo Afonseca, pela impossibilidade do município em contrair empréstimos na Caixa por conta de problemas nas administrações anteriores. De acordo com ele, a situação vem sendo regularizada.
Além dessas questões de mercado, foram abordados o desenvolvimento de regiões como a Gleba Palhano (zona sul), que centraliza grandes empreendimentos verticais, a saturação dos condomínios horizontais e a tendência do mercado. ''A Glebla Palhano é a bola da vez'', apontou Antônio Galindo Moreno, da Construtora Galmo. ''A região ainda tem muito espaço para crescer'', acrescentou Pires.
Também estavam presentes no debate, Atsushi Yoshii, da A.Yoshii Engenharia e Construções; Rodney Garcia Montosa, da Montosa Construtora; José Carlos Salgueiro, da Artenge S/A Construções Civis; Junker de Assis Grassiotto, presidente do Sinduscon e Marcos Alberto Rocha Augusto, supervisor da Caixa.
Detalhes do debate serão apresentados em matérias que a Folha publicará em edições especiais, que estão sendo preparadas.

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