Empresários detectam queda no crescimento das vendas
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quarta-feira, 04 de junho de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaComércio reduz as comprasSÃO PAULO - Queda nas vendas do comércio, espaçamento da reposição dos estoques, insolvência e desemprego são os sinais de desaceleração dos negócios. O aumento da insolvência do consumidor é um dos indicadores que estão sendo avaliados pelos empresários para confirmar a tendência de queda no ritmo de crescimento das vendas. As consultas aos sistemas de proteção ao crédito (SPC e Telecheque) com crescimento em torno de 6% em maio comparativamente a abril, também confirmam a tendência.
Segundo Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), historicamente essa taxa de crescimento fica em torno dos 10%. O fato de estar em 6%, portanto, representa desaceleração. Além disso, explica ele, a base de comparação com o ano passado vai acentuar esse cenário, porque as vendas obtiveram desempenho maior no segundo semestre de 1996. Não há surpresa nisso, porque é um efeito estatístico esperado quando se compara dos dados de agora com os do ano passado, diz Solimeo.
Mas mesmo sem considerar esse efeito estatístico há desaceleração. Acompanha a inadimplência a elevação dos indicadores de desemprego e, nesse sentido, o efeito do aumento do IOF nas operações de crédito para o consumidor é pequeno, porque está diluído no número de prestações, diz Solimeo.
O comércio desacelerou as compras desde dezembro de 1996, agora está administrando a recomposição dos seus estoques gradualmente, na mesma velocidade do consumo.
Dados divulgados pela MCM Consultores indicam que os estoques industriais de produtos acabados estavam em 6% até 15 de maio e os de matérias-primas em 1%. Como os do comércio também estavam em 6% (produtos semiduráveis) isso significa que está tudo parado, segundo comentou um analista. Em abril, as indústrias conseguiram faturamam mais que o comércio, que comprou para o Dia das Mães, mas agora os estoque estão altos. A expectativa é com relação ao Dia dos Namorados, quando as vendas de determinados itens sobe.
Se as compras da indústria forem menores isso não significará uma automática redução das importações e nem que as indústrias poderão usar os excedentes do mercado interno para exportar. Não se faz esse movimento automaticamente, o mercado externo é difícil e demora a ser conquistado, não é a desaceleração que vai resolver o problema da balança comercial, diz o analista.


