Empresários descartam queda de juros abaixo da marca de 20%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de março de 1998
Agência Estado 
O Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que se reuniu ontem, não acredita que a taxa de juros caia abaixo de 20% nos próximos meses. A conjuntura externa e as dificuldades fiscais do governo forçariam o governo a manter os juros neste patamar a curto prazo para atrair a entrada de capital externo.
Não há espaço para a queda dos juros além de 20%, disse o diretor do Departamento de Economia (Decon) da Fiesp, Boris Tabacof. O Conselho acredita numa redução dos juros na próxima reunião do Copon, no dia 15 de abril, mas, em seguida, o governo adotaria uma espécie de piso em 20%. O problema dos juros não é isolado, faz parte de um quadro mais amplo, explicou Tabacof, lembrando que o próprio governo é o grande tomador de recursos no mercado interno.
O Conselho acredita que o risco externo declina, afastando assim a possibilidade de alguma repercussão da crise que abate a Ásia no País. Os organismos multilaterais, fundos privados e investidores diretos têm uma avaliação positiva sobre a conduta do Brasil frente a crise asiática, afirmou Tabacof. Um bom indicador desse quadro, segundo ele, é a retomada da entrada de investidores externos no País.
Tabacof disse que o Conselho Superior de Economia considera vital o estímulo do governo às exportações. Seria preciso o crescimento de 14% ao ano para que o Brasil conseguisse estabilizar seu déficit nas contas externas. Nesse sentido a indicação do economista José Roberto Mendonça de Barros para o comando da Câmara de Comércio Externo (Camex) foi considerada positiva pela Fiesp. Sempre pedimos um órgão que coordenasse e centralizasse as atividades ligadas ao comércio externo, disse Tabacof, que vê com otimismo a escolha de Barros.
A possível indicação do embaixador José Botafogo Gonçalves para o Ministério da Indústria e Comércio também foi elogiada pela Fiesp. A integração entre a área governamental e o setor privado é fundamental para vencermos os obstáculos que dificultam as exportações, disse o diretor do Departamento de Economia da Fiesp.


