Empresários demonstram otimismo
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terça-feira, 19 de outubro de 2004
Renata Veríssimo<br>Agência Estado 
Brasília A indústria brasileira deve continuar investindo nos próximos seis meses e os empresários estão mais confiantes em relação à melhora na economia. Isso é o que revela a sondagem de opinião divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que ouviu empresários do setor, entre os dias 27 de setembro e 18 de outubro. ''A expectativa é de aumento do ritmo de crescimento'', afirmou o coordenador da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato Fonseca.
A pesquisa mostra ainda que o empresariado também está otimista em relação à sua própria empresa. Em toda a série histórica, iniciada em 1998, esse quadro aconteceu apenas quatro vezes, sempre em momentos de recuperação econômica.
Outra novidade da última sondagem é a melhora na expectativa do empresário de pequeno e médio porte. ''Isso é bom porque mostra que as pequenas empresas também estão sendo atingidas pela retomada do crescimento'', avaliou Fonseca. Segundo ele, nas últimas pesquisas havia ''um descolamento grande entre o indicador das grandes e os das pequenas e médias empresas''. Mas, na pesquisa de outubro, esses indicadores voltaram a se aproximar. Na sua avaliação, a expectativa das grandes empresas estava bem acima do outro grupo, porque estavam vendendo para o mercado externo, que estava em crescimento. Com o aumento da demanda interna, melhorou a avaliação das pequenas e médias empresas.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), registrado na pesquisa em outubro, atingiu os níveis de janeiro de 2000, e ficou em 63,8 pontos ante 60,7 no levantamento anterior, feito em julho deste ano. No entanto, o melhor resultado da série continua sendo o de janeiro de 2001, quando chegou a 65,3 pontos. ''Mas o importante é que o indicador voltou a este patamar'', afirmou Fonseca. Esses índices chegaram a atingir, em alguns momentos nos últimos três anos, pontuação inferior a 50.
A pesquisa é trimestral e o índice varia de zero a 100 pontos. Os valores acima de 50 pontos refletem a confiança do empresariado. ''Quanto mais próximo de 100, maior vai ser o esforço da indústria para retomada das suas encomendas'', explicou Fonseca. Ele alertou, no entanto, que a confirmação da expectativa apontada pela pesquisa para os próximos meses depende de não ocorrerem fatos graves e inesperados, como por exemplo a crise energética em 2001, que interrompeu o crescimento da economia brasileira naquele ano. Apesar de em janeiro de 2001 o ICEI ter sido o maior da CNI, as expectativas positivas foram frustradas pela crise energética.


