Os exportadores e importadores que utilizam o Porto de Santos acreditam que a ferrovia seria uma solução mais barata para o transporte de cargas industrializadas em contêineres até a zona portuária. Atualmente, os trens que chegam ao porto levam principalmente granéis e minérios, produtos tradicionalmente transportados por via férrea em todo o mundo.
De acordo com o coordenador do Comitê de Usuários dos Portos do Estado de São Paulo (Comus), José Cândido Senna, as empresas fugiriam dos congestionamentos das rodovias Anchieta e Imigrantes, cortando custos. Segundo Senna, a carga geral é o ‘‘filé mignon’’ do transporte, por ser o segmento de mercadorias com maior valor agregado.
Ele informa que já existem duas linhas em curso para levar contêineres até o Porto de Santos. A ferrovia MRS Logística tem a linha Suzano-Santos e a Ferroban (antiga Fepasa) já transporta contêineres de Campinas ao porto. ‘‘São experiências muito incipientes e localizadas, mas existe potencial de crescimento’’, afirma ele.
O consórcio privado Portofer, que assumiu no fim de junho a administração dos 200 km de trilhos dentro do Porto de Santos, estima que apenas 4% das cargas sejam transportadas pelas ferrovias, sendo apenas 1% de carga industrializada. Todo o restante entra e sai do porto por caminhões.
De acordo com o presidente da Ferronorte, Nelson de Sampaio Bastos, o Portofer já obteve ganho logístico de 26% nos últimos dois meses. O tempo de permanência dos trens no porto caiu de 65 para 48 horas, em média. A meta do consórcio é chegar a 24 horas. Os investidores planejam aplicar R$ 11 milhões na malha do porto nos próximos três anos. Eles querem quadruplicar a participação do trem no transporte de carga do porto em dois anos.
O Portofer é composto pela Ferroban (antiga Fepasa) e pela Ferropasa, holding que controla as ferrovias Ferronorte e a Novoeste e detém ainda 36% do capital da Ferroban. A ferrovia interna do porto de Santos era antes administrada pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).
José Cândido Senna afirma que ainda é cedo para as empresas usuárias realizarem uma avaliação da administração privada da ferrovia. ‘‘Nós entendemos que os principais gargalos da malha do porto deverão ser removidos a médio prazo, ou seja, dentro de oito meses.

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