Empresários defendem plano para expansão do trigo nacional
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2001
Oswaldo Petrin De Londrina 
O Brasil tem fortes razões para implementar um novo ciclo do trigo: boas chances de comercialização, face aos baixos estoques mundiais; uma preocupante dependência do produto importado, e uma demanda interna que cresce a taxa de 1,70% ao ano, acima da média mundial (1,20%).
Duas influentes personalidades do agribusiness - o presidente da Associação Brasileira da Indústria Moageira de Trigo (Abitrigo), Roland Guth, e o presidente da Coamo, José Aroldo Galassini -, alertaram que o País precisa estimular a produção. O grau de dependência brasileira em relação ao trigo estrangeiro, cerca de 80% este ano, deixa o abastecimento vulnerável. Isto não interessa à indústria, nem ao consumidor e ao governo.
Este também é o sentimento dos técnicos, industriais e agricultores que participam do 2º Seminário Técnico do Trigo que se realiza em Londrina, simultaneamente com a 16ª reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo.
Guth e Galassini falaram segunda-feira à noite na abertura do evento que reúne especialistas de três estados.
Ao mesmo tempo em que a situação é preocupante, os dados apontam um ano de preços estimulantes ao produtor. O prognóstico favorável a uma boa comercialização tem base em dados apresentados por Galassini, Roland Guth e Sérgio Dotto, presidente da Comissão Organizadora e pesquisador da Embrapa, que promove o evento.
Outro especialista, Nelson Montagna, diretor e analista da Trigonet, apresenta projeção ainda mais otimista. Ele acha que pela paridade internacional o preço do trigo brasileiro, em real, pode chegar a R$ 280,00/300,00/tonelada em julho. Mas alerta, o produtor não pode alongar muito o período de comercialização: este preço vantajoso pode cair com a entrada da safra argentina, antes de outubro.
Podemos estar à beira de um novo ciclo, muito promissor, para o trigo brasileiro, afirma Nelson Motagna. Tanto ele como o presidente da Abitrigo, Roland Gut, elogiam o trigo paranaense: é pelo menos 5% melhor que o argentino ou trigos de outras procedência, independente do tipo. É que o trigo argentino utiliza peneira 1,75 milímetros, ao passo que o Brasil utiliza peneira 160 milímetros.
O Brasil gasta US$ 1 bilhão/ano com a importação de 8,4 milhões de t de trigo, se conseguirmos a meta de produzir a metade da demanda mundial o País vai economizar em valores de hoje cerca de US$ 400 milhões, um valor que pesa muito no equilíbrio da balança comercial, afirma Roland Guth.
Galassini frisou que os estoques de trigo estão com seus níveis mais baixos dos últimos 10 anos. Além disso, o consumo de derivados de trigo é crescente no Brasil, a uma taxa de 1,70% ao ano, comparada a um crescimento médio mundial de 1,20% nos Estados Unidos e 1,30%.
Plano Galassini apresentou as metas do plano para aumento da produção nacional, elaborado pelos setores da produção e industrialização como Abitrigo, cooperativas, Abrasem, Embrapa, Iapar e Seab. Em 2004 o País deve produzir 5 milhões de toneladas e, em 2006, o plano fecha com uma meta de 6 milhões de toneladas, 60% da demanda.
Mas para que isto aconteça, segundo Galassini, coloca as ações necessárias e atribuições de cada setor envolvido, incluindo a indústria e o governo. Um dos pontos que os dois dirigentes fazem questão de frisar - além do preço de garantia - é o seguro agrícola. Galassini acha que o governo deve subsidiar o seguro, que está pesando muito para o produtor. A medida que o seguro vai formando uma reserva - um colchão -, que permite fazer seguros de outras culturas, os custos vão ficando menores e o governo pode deixar o setor andar com as próprias pernas. O que não pode, segundo Galassini, é deixar como está. A Cosesp cobra 10% de prênmio; o Proagro 11% e a proposta de uma aliança do Banco do Brasil, com valores não definidos, teria cobrado 7% de taxa para o milho.
Embora o trigo seja a melhor opção para cultivos de inverno, é impossível plantar sem seguro, segundo Galassini, mas por enquanto o setor não suporta bancar o seguro sem a participação do governo.
Galassini também defende uma política de redução de custos dos insumos. O preço dos insumos - corretivos do solo, sementes, fertilizantes, defensivos - é muito alto para a atual realidade de mercado. É preciso fazer algo (que não seja o contrabando de veneno) para tornar os insumos mais acessíveis, segundo Galassini.


