Empresários de Londrina esperam queda na cotação
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terça-feira, 30 de julho de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Londrina - Empresários ouvidos pela Folha ontem não acreditam que o valor do dólar se sustente acima dos R$ 3,00 por muito tempo. As expectativas são de que até o final do ano a cotação recue, embora ninguém se arrisque a dizer até quanto deva chegar.
Enquanto a situação está indefinida, a tendência é que as vendas entrem em compasso de espera. ''Com o dólar nesse valor, não tem negócio'', sentencia o gerente comercial da German Car/BMW, Jorge Luiz Lazzarotto. A nova linha de carros importados comercializados pela concessionária devem sofrer um reajuste de cerca de 10% devido às oscilações da moeda norte-americana e defasagens registradas desde 99.
Para enfrentar o momento de dificuldades, a concessionária resolveu baixar os juros dos financiamentos, mesmo assim as vendas foram reduzidas de oito veículos por mês para três em julho. Paralelamente, já houve aumento nos preços dos pneus e as peças de reposição devem ficar mais caras ainda esta semana.
Carlos Picchi, diretor-comercial da Valence Veículos, revendedora Citroen, não está sentindo retração nas vendas, por enquanto.''Quem tem dólar está comprando e quem tem dinheiro aplicado está com receio de mudanças drásticas na economia e também prefere investir em bens'', assinala ele. Picchi adianta, no entanto, que a fábrica já sinalizou com aumentos, mas não informou de quanto nem a partir de quando. Mas ele também considera alto o valor de R$ 3,30 por dólar. Picchi não arrisca dizer qual valor seria ideal para o mercado, mas lembra que existem estudos apontando que o preço do dólar poderia ser de R$ 2,40.
O diretor de assuntos corporativos da multinacional Milenia Agro-Ciência, Luiz César Guedes, diz que o valor atual do dólar é muito elevado para os negócios da empresa. ''Imagine como fica a situação de uma empresa que compra matéria-prima em dólar e vende seus produtos em reais. A situação, com o valor do dólar a esses níveis, é preocupante e causa danos ao resultado da empresa'', comenta.
Segundo ele, o momento é de aguardar e observar o comportamento da moeda, para depois tomar uma posição em relação aos negócios. ''No meu entendimento, não há justificativas para esse comportamento. Tenho certeza que o valor vai recuar, pois é insustentável'', completa, acrescentando que a empresa irá segurar as vendas para ver como o mercado vai reagir.


