A confiança dos empresários da indústria de transformação cresceu apenas 0,8 pontos em maio em relação a abril. No entanto, o estudo realizado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) mostrou que o indicador continua pelo 17º mês consecutivo na área de pessimismo, com 35,1 pontos. O índice também ficou -5,6 pontos abaixo do registrado em maio de 2014. O indicador varia no intervalo de zero a 100. Valores acima de 50 pontos indicam empresários confiantes, melhores condições ou expectativas positivas. A confiança é formada pelo Índice de Condições Atuais e Índice de Expectativas.
O coordenador do departamento Econômico da Fiep, Maurilio Schmitt, disse que os empresários estão todos reticentes e desalentados com a política econômica do País e não veem perspectivas. Isso se reflete na diminuição dos investimentos. "Está todo mundo com os projetos na gaveta", comentou.
Ele disse que os empresários estão preocupados com os próximos aumentos de juros, com o baixo nível de poupança e a alta tributação. Por isso, o que está ocorrendo no setor industrial é um período de espera.
Segundo ele, não é possível olhar isoladamente o crescimento de 0,8 pontos em maio, mas os 17 meses de pessimismo. E ele não prevê melhora do índice de confiança da indústria para os próximos meses. A estimativa dele é que o governo demore cerca de dois anos para colocar ordem na economia do País.
O setor moveleiro é um dos segmentos que está pessimista e começou a apresentar resultados negativos. O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas, Nelson Poliseli, disse que, no Brasil, a indústria moveleira teve queda de 2,4% de janeiro a abril. Nesse período, as indústrias de Arapongas ficaram estáveis. Já, em maio, o setor registrou queda de 20% na produção.
Segundo ele, o polo de Arapongas ainda não demitiu. A região tem 163 indústrias de móveis e gera 12 mil empregos diretos e 3 mil indiretos. Ele comentou que o setor vem sendo prejudicado pelo crédito mais restrito e pelos juros altos. Poliseli acredita que possa haver uma pequena melhora no segundo semestre, mas vai depender da economia do País.
"O nosso setor acumula queda de 40% nas vendas de janeiro a abril", disse a coordenadora do Conselho Têxtil e Vestuário do Paraná da Fiep, Luciana Bechara. "A desconfiança do País como um todo está muito alta", afirmou. Segundo ela, há uma leve perspectiva de melhora com o aumento da alíquota de importação e com o patamar atual do dólar, mas nada que recupere as perdas dos últimos dois anos. Ela comentou ainda que o setor está sofrendo com o aumento da energia elétrica e do ICMS no Estado.

Construção

A pesquisa da Fiep também avalia a confiança do industrial da Construção Civil (Icec). O índice subiu 7,3 pontos em maio após quatro meses de queda consecutiva, atingindo 40,9 pontos - na área de pessimismo pela 12ª vez consecutiva.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), José Eugenio Gizzi, disse que o crescimento da economia está diretamente relacionada ao aumento dos investimentos. Segundo ele, ainda há demanda grande por imóveis, mas o crédito não tem colaborado para isso. "Não temos grandes expectativas em relação a 2015", afirmou.

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