Curitiba Empresários de Curitiba estão se queixando do aumento no rigor da Receita Federal nas importações de produtos. Detalhes e regras que antes não eram observados passaram a ser exigidos. A Receita quer saber o levantamento dos estoques das empresas antes de liberar as guias de importação. A Receita também está de olho no cumprimento das normas de importação pelos Correios, cujos custos são dimensionados pela pesagem.
Para o consultor Nelson Luiz Paula de Oliveira, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (Ibef-PR), são vários os motivos para ''esse aperto da Receita vem aumentando no último mês''. Entre eles, está a necessidade do governo de intensificar o controle das mercadorias para criar superávit (exportações menos importações), instrumento utilizado pela equipe econômica para manter o dólar barato e controlar a inflação.
Com o represamento da entrada das mercadorias, o governo está mantendo ''artificialmente'' as exportações maiores do que as importações, explicou Oliveira. ''Os técnicos da Receita Federal não vão admitir nunca, mas eles podem estar fazendo um ajuste semanal na entrada de produtos no País para ajudar o governo evitar a perda do superávit'', afirmou.
Outra explicação para esse aperto, segundo o consultor, é a resposta ''técnica'' a um fato político gerado pela crise instalada no País. Oliveira citou como exemplo a Operação Narciso, da Polícia Federal, nas lojas de alto luxo Daslu, em São Paulo. Oliveira disse que agora se vê claramente que o governo federal está empenhado em mostrar serviço para dar uma resposta à população de todas as acusações que vem sendo alvo.
Para o vice-presidente do Ibef, o aumento da fiscalização no último mês se deve mais a fatos políticos do que técnicos. ''Detalhes que eram dispensados antes passaram a ser olhados com rigor'', avisou. ''Ocorre que nessas operações, o governo não percebeu que o Brasil é muito maior do que a máquina da Receita Federal e da Polícia Federal'', acrescentou. ''E nessa miscelânia, muitas vezes quem responde é quem menos deve''.
Oliveira citou o caso do combate ao contrabando. Para ele, uma coisa é a Polícia Federal e a Receita apertarem o cerco para evitar cargas inapropriadas de cigarros, armas, drogas e apreenderem quadrilheiros disfarçados nos ônibus. ''Outra coisa é pegar quem faz contrabando para sobreviver e vende seus produtos no calçadão em Londrina ou na Praça Rui Barbosa, em Curitiba''.
Segundo Oliveira, ''chegamos a um ponto que algo terá que ser feito''. ''O fato é que estamos em meio a briga de bandido e ninguém passa recibo de coisa errada''. ''O que estamos assistindo é a revelação de coisas que todos já sabiam e só falavam em conversa de botequim'', afirmou.
A Folha procurou a Receita Federal em Curitiba, mas o a entidade não se pronunciou. Em Brasília, a Receita Federal pediu que enviasse as perguntas por e-mail, que não foram respondidas.

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