Fiscais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e proprietários de postos de combustíveis de Foz do Iguaçu se desentenderam durante averiguações, ontem na cidade. Um empresário não concordou com os critérios usados pelo órgão do Ministério das Minas e Energia para realização do levantamento de preços e margens de comercialização.
O supervisor nacional da Alternativa Pesquisa e Mercado (empresa contratada pela agência para levantar os dados), Luiz Fernando Philomena, esteve ontem em Foz acompanhando o trabalho dos fiscais. Enquanto visitavam um dos postos centrais da cidade, houve uma discussão com o dono do estabelecimento sobre os preços apresentados nas bombas de gasolina comum. ‘‘Estamos seguindo as determinações da agência, que pediu para pegarmos os valores expostos na bomba e compararmos com os preços de custo (notas fiscais). Aqui o lucro chegou a R$ 0,30’’, disse Fernando Philomena, usando como comparativo o índice considerado ‘‘satisfatório’’ pelo ministro Rodolpho Tourinho, que seria de R$ 0,15 por litro.
O proprietário Walter Venson não concordou com a avaliação dos agentes, dizendo que a maioria dos postos pratica preços diferenciados daqueles apresentados na bomba e que seu estabelecimento estaria vendendo o litro da gasolina comum a R$ 1,57. Valor, segundo ele, comprovado em notas fiscais emitidas aos clientes. ‘‘Também não foi somado aos nossos custos o preço do frete, que chega a R$ 0,05 por litro.’’
O supervisor da Alternativa destacou que são registrados na pesquisa somente os valores expressos nas bombas e perguntou porque não havia qualquer faixa ou cartaz expondo o valor ‘‘promocional’’ do posto. ‘‘Não havia porque, na visita anterior, vocês disseram que nossa faixa não justificaria o valor diferente na bomba’’, bradou Venson, referindo-se à primeira visita, há dez dias.
Mesmo admintindo que não havia cartazes com valores reduzidos, o dono do posto criticou os critérios usados pela ANP, porque eles estariam ‘‘camuflando os verdadeiros índices’’ e que o preço médio da gasolina comum em Foz caiu de R$ 1,53 para R$ 1,51 em uma semana. O valor da gasolina na cidade oscila entre R$ 1,48 e R$ 1,64. ‘‘Na portaria nº 220 da ANP diz que o proprietário deve disponibilizar as notas fiscais de compra e venda para os pesquisadores. Ofereci os comprovantes de venda para que fizessem a média, mas eles não quiseram. Pois então que mandem um contador e não um leigo’’.
Fernando Philomena não concordou com as afirmações do proprietário e disse apenas que o consumidor não pode ser iludido. ‘‘O cliente precisa saber quanto está pagando. Como ele saberá que existe um desconto se não há divulgação do mesmo?’’, perguntou. (Emerson Dias)

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