Curitiba O empresariado paranaense está confiante nas propostas do governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a educação e incentivo à produção industrial e agrícola, mas ainda tem ressalvas quanto aos aspectos estruturais da economia brasileira como taxa de juros, política cambial e seu impacto nos negócios. A avaliação consta da pesquisa Panorama Empresarial Paraná, divulgada ontem pela empresa de consultoria Deloitte Touche Tohmasu.
De acordo com o sócio-diretor da Deloitte Touche Tohmasu, José Écio Pereira da Costa Júnior, o otimismo em relação aos novos governantes e às perspectivas do setor para 2003, são um pouco mais conservadores em comparação à pesquisa nacional, divulgada na última semana. A expectativa de 89% dos executivos, segundo a pesquisa, é de que atuação do governo Lula nas políticas de incentivo à produção industrial seja de regular a ótima. A mesma avaliação foi feita por 95% dos entrevistados quanto à produção agrícola.
O levantamento aponta que 71% dos entrevistados acredita no crescimento da economia brasileira em 2003, com o aumento de 2,1% no Produto Interno Bruto (PIB). A maioria (54%) aposta na redução da taxa de juros, 32% acreditam que elas irão se manter e 14% acham que as taxas possam aumentar. Os que não opinaram pela redução nos juros, acreditam que essa queda poderia elevar o índice de inflação. Quanto à inflação, a maioria aposta que o índice médio em 2003 será de 12%.
Entre as ações elencadas como prioridades pelos empresários para serem implementadas pelo futuro governo estão a reforma tributária e o incentivo a investimentos que gerem mais emprego. Mas, o empresariado não acredita que uma eventual reforma tributária tenha efeito em 2003. Apenas 26% dos entrevistados acreditam em redução da atual carga tributária.
Com relação aos investimentos, o cenário empresarial do Paraná é positivo. Dos executivos entrevistados, segundo Costa Jr., 37% informaram ter aumentado os investimentos este ano em comparação a 2001. ''A maioria investiu em modernização, buscando maior competitividade, através da melhoria na produtividade'', avaliou.
Para 2003, a projeção de 94% das empresas é de investir ainda mais. A maior parte dos investimentos (45%) devem ser feitos no interior do Estado, enquanto 33% planejam investir em Curitiba e outros 22% em outros Estados. Para Costa Jr., os empreendedores estão conseguindo manter a competitividade fora dos grandes centros, apostando em melhores condições de mão-de-obra e qualidade de vida, por isso, a confiança em cidades do interior.
Outro dado positivo apontado na pesquisa é o aumento do faturamento. A maioria das empresas (74%) encerrará 2002 com faturamento superior a 2001, sendo que 57% tiveram crescimento no lucro. A expectativa de 83% dos entrevistados é superar em 2003 o faturamento deste ano.
A pesquisa envolveu 87 empresas que, juntas, respondem por um faturamento de quase R$ 9 bilhões e têm, em média, 555 empregados. Das empresas pesquisadas, 81% são nacionais e 99% privadas.

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