Uma prática muito comum no mundo dos negócios é o sigilo em torno de experiências bem sucedidas. Mas um projeto desenvolvido em Londrina há pouco mais de um ano está revertendo esta situação. Todo mês, um pequeno grupo de empresários e representantes de várias entidades se reúnem para ouvir o que outros empreendedores fizeram para vencer ''o caminho das pedras''.
A iniciativa tem o nome de ''Café Tecnológico'' e é organizada pelo comitê gestor do Programa de Integração Universidade, Centro de Pesquisa e Empresa (Integra). O encontro deste mês aconteceu ontem de manhã em uma sala da Associação Comercial e Industrial de Londrina.
A primeira a relatar sua experiência foi a empresária Jandira Guenka Palma, que trabalha na área de tecnologia da informação. Ela disse que a empresa começou em 2001 como um projeto da Agência de Inovação Tecnológica da Universidade de Londrina, antiga Intuel, e hoje tem uma sede com quase mil metros quadrados. A empresa tem 39 funcionários em Londrina e 19 em Guarulhos (SP).
Jandira explicou que a maior parte dos projetos desenvolvidos por sua empresa foram financiados com recursos de uma série de instituições. Segundo ela, existe dinheiro para ajudar novos empreendedores ou criar novas tecnologias, mas é preciso descobrir o caminho certo para consegui-lo, o que, reconhece, não é fácil. ''A inovação é um risco e nem sempre uma grande idéia vai ter um grande cliente para contribuir para que ela se concretize''.
O cardiologista Antonio Nechar Junior falou sobre o trabalho que desenvolve na área de telemedicina, o que permite fazer diagnósticos de pacientes que estejam nos lugares mais remotos, como algum ponto da floresta Amazônica, por exemplo, ou alguém que esteja preso ao trânsito nas grandes cidades. Segundo ele, a telemedicina é o caminho para países com grande extensão territorial e com grandes diferenças sociais e regionais, como o Brasil. O médico informou também que a Telcor - Soluções em Telemedicina, da qual é diretor, também vai desenvolver projetos em parceria com a Agência de Inovação Tecnológica da UEL.
O representante da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Londrina, Ary Sudan, que participou do encontro, disse que esse tipo de iniciativa serve para mostrar o que a cidade tem de bom e que a maioria das pessoas não conhece porque julgam apenas pela aparência. ''Às vezes você vê apenas a simplicidade de uma pessoa, mas não vê o que ela tem na cabeça''.
O Programa de Integração Universidade, Centro de Pesquisa e Empresa é formado pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina e Região (Adetec), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae), e também das universidades Estadual de Londrina (UEL) e Norte do Paraná (Unopar).
A coordenadora do comitê gestor do Integra, Rosi Sabino, informa que o café tecnológico do mês de agosto será realizado na sede da Embrapa Soja, em Londrina.

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