Empresários cobram retorno dos impostos
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segunda-feira, 09 de agosto de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os industriais da região sul do País se insurgiram contra a União e estão cobrando o retorno dos impostos pagos à federação. Para isso, os presidentes das federações das indústrias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná convocaram a classe política dos três estados para atuar unida no Congresso na reivindicação de verbas federais. A terceira reunião do grupo, batizado de ''Fórum Industrial Parlamentar Sul'', foi realizada ontem em Curitiba.
Na próxima semana, o fórum ganha a adesão do Mato Grosso do Sul. Com isso, serão cerca de 100 parlamentares dos quatro estados que deverão brigar pela repartição das verbas federais entre as regiões, acreditam os empresários.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Francisco Renan Proença, chegou a hora de ''dar um basta à injustiça que se faz com a Região Sul ao longo dos anos''. Segundo ele, o Nordeste consegue três vezes mais o volume de recursos do que os destinados para o Sul. ''Nós sabemos que um país desigual tem que ter tratamento diferenciado, mas o que está acontecendo com o repasse de verbas federais para outras regiões do País é um exagero em detrimento da Região Sul'', disparou.
Ainda de acordo com o empresário, no ano passado os três estados do Sul repassaram R$ 27,3 bilhões em impostos ao governo federal e obtiveram de retorno R$ 900 milhões em verbas para infra-estrutura, sa© úde, justiça e educação. Proença lamentou que o primeiro ano do governo Lula foi praticamente a repetição da política traçada no governo Fernando Henrique Cardoso. Em números, significa que no período de 1999 a 2002, o Sul repassou ao governo federal R$ 80,87 bilhões, contribuiu com US$ 20 bilhões para o superávit da balança comercial brasileira e em contrapartida, recebeu R$ 1,14 bilhão para obras de infra-estrutura. Enquanto isso, o Nordeste recebeu R$ 3,54 bilhões.
Para Proença, os estados do Sul contribuem com 30% das exportações brasileiras e podem crescer muito mais, desde que as reivindicações para obras de infra-estrutura nos portos, aeroportos, rodovias e ferrovias sejam atendidas. O conjunto dos três estados reivindica um total de R$ 7,3 bilhões, mais do que o dobro do orçamento federal para obras de infra-estrutura em todo o País previsto para este ano, que deve totalizar R$ 3,1 bilhões.
De acordo com o deputado federal do Paraná, Paulo Bernardo (PT), presente ao encontro, o orçamento da União para infra-estrutura este ano é de R$ 2,5 bilhões. Mas o Congresso está aprovando uma suplementação orçamentária no valor de R$ 600 milhões para essa rubrica.
Para o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), José Fernando Xavier Faraco, o bom desempenho do agronegócio revelou as mazelas e a precariedade dos portos brasileiros, que precisam de investimentos urgentes. De acordo com o empresário, o crescimento do agronegócio ainda provocou pouco impacto no setor energético. Com a reativação do mercado interno e venda de produtos de maior valor agregado, o empresário prevê um apagão de energia dentro de quatro anos se nada for feito até lá.


