Brasília - Empresários do setor de microcrédito cobraram ontem do governo medidas prometidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para incentivar esse tipo de empréstimo a microempreendedores. E condenaram a política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de condicionar o repasse da linha de microcrédito com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) a uma taxa de juros final de 2% ao mês.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Operadores de Microcrédito (Abcred), José Caetano Lavorato Alves, a taxa de juros imposta pelo BNDES daria prejuízo para as instituições. ''Por isso ninguém pegou a linha ainda.''
Especialistas presentes ao seminário explicaram que a taxa de microcrédito normalmente é um pouco maior que a dos empréstimos bancários não só por ter menos garantias, mas também porque seu custo operacional é mais alto. Os recursos têm de ser liberados de forma rápida e sem burocracia. Em média, a taxa de juros cobrada pelas instituições no mercado brasileiro tem ficado em 3,5% ao mês.
''A maioria dos especialistas estima que o Brasil tem de 10 a 15 milhões de pequenos empreendedores que precisam do microcrédito'', disse o diretor do instituto boliviano Políticas para a Microempresa, Pancho Otero, participante do 3º Fórum Internacional de Microcréditos. ''Até agora, só 150 mil pessoas foram atendidas, o que me parece muito pouco.'' Otero calcula que, para atender a essa população de microempreendedores com um crédito médio de US$ 500, seriam necessários entre US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões em recursos, o que só será possível obter tornando o microcrédito atrativo para o setor privado.

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