São Paulo - A lentidão do governo para pôr em prática planos amplamente divulgados é a principal crítica de economistas e especialistas no setor de infra-estrutura. ''O discurso é perfeito. Falta ação'', reclama o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon), Luiz Fernando Santos Reis. Na opinião dele e de vários outros especialistas, há um problema de gestão no governo, que não permite o andamento dos projetos na velocidade exigida pelo País.
Todos reconhecem que há interesse e esforço para aumentar o volume de investimento. Mas há sempre um entrave, como problemas ambientais, questões jurídicas e desentendimentos com o Tribunal de Contas da União (TCU), entre outros. É na solução desses entraves que o governo peca e cai na morosidade, dizem os especialistas. ''Não há organização. Lá fora, os projetos têm começo, meio e fim. Aqui, parece que eles desanimam no meio do caminho por causa dos obstáculos'', afirma o diretor do Departamento de Infra-Estrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Saturnino Sérgio da Silva.
Tudo demora muito para sair do papel como se o País tivesse tempo para solucionar os problemas da infra-estrutura. Um exemplo de morosidade do Estado é o processo de licitação dos sete lotes de rodovias federais. Desde 1999, tenta-se levar esses trechos de estrada a leilão.
O processo foi e voltou do TCU, várias vezes, e continua pendente. ''Não queremos que os projetos sejam feitos sem capricho, apenas que haja mais agilidade no processo. Além disso, é preciso decidir logo se um empreendimento pode ou não ser feito. Em caso negativo, que encontrem outra solução'', reivindica Silva.
Outro dilema é a diferença entre ideologias. Há quem diga em Brasília que a demora das parcerias público-privadas (PPPs) deve-se a uma divisão dentro do governo entre os que consideram imprescindíveis as parcerias com a iniciativa privada e aqueles que questionam a necessidade desse mecanismo para elevar os investimentos em infra-estrutura.
O fato é que depois de lançar e relançar o programa, a carteira de projetos está praticamente vazia. No início deste mês, o governo decidiu que a BR-116, entre Salvador e a divisa com Minas Gerais, que estrearia as PPPs, agora será concessão rodoviária. Há dúvidas também em relação ao Ferroanel de São Paulo.
Plano estratégico - O presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, lembra que parte da infra-estrutura brasileira surgiu durante as décadas de 1960 e 1970, como é o caso de rodovias e hidrelétricas, num resultado de Planos Nacionais de Desenvolvimento. ''Depois disso, veio o regime democrático, alternância de governos e não tivemos um plano de desenvolvimento de longo prazo'', comenta ele, destacando que a última tentativa de criar um programa desse tipo foi no Governo FHC, com o Brasil em Ação.
Esses planos, diz ele, deveriam ser aprovados no Congresso para evitar mudança de foco e dar sequência nos projetos, o que não ocorre hoje. ''Não há falta de dinheiro no País. Falta agilidade de governo'', diz Reis.

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