Empresários cobram empenho dos senadores
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segunda-feira, 06 de junho de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Empresários do setor da construção civil cobraram ontem mais empenho dos três senadores do Paraná para aprovação de reformas estruturais que são urgentes para o desenvolvimento econômico brasileiro. Entre as reformas estão a tributária (que realmente reduza a atual carga tributária, estimada em 41,6% do Produto Interno Bruto brasileiro), a política (para evitar que os políticos sejam eleitos para defender princípios próprios) e a trabalhista (para reduzir os encargos para os empregadores e proporcione a geração de empregos).
Os senadores tiveram tempo para expor suas considerações sobre os temas durante o debate ''As reformas estruturais e o desenvolvimento econômico'', na sede do Sindicato das Empresas de Construção Civil (Sinduscon), em Curitiba. Todos eles se disseram a favor das reformas. Entretanto, os senadores Osmar Dias (PDT) e Alvaro Dias (PSDB) pontuaram as dificuldades existentes atualmente para aprovação de reformas fundamentais por falta de interesses do governo federal. ''O Congresso Nacional não rema contra a maré. Se existe um propinoduto dentro das estruturas de poder é difícil que se consiga votar algo que não seja exatamente aquilo que o próprio governo federal quer'', destacou Alvaro Dias.
Para Alvaro, falta competência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Falta de competência que pode, segundo ele, ser observada pela gestão do dinheiro público. ''Nunca se arrecadou tanto como agora, entretanto existe muito desperdício de dinheiro público. Não se discutem prioridades. A máquina cresceu e aumentou os gastos com 4 mil novos cargos em confiança e 34 ministérios. Engordaram o caixa do partido num projeto de poder e não num projeto de Nação'', reclamou o senador tucano.
Já o senador Osmar Dias fez questão de reforçar que a escalada da carga tributária no Brasil é geométrica. No início do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) era de 24% do PIB, passando para 29% do final dos oito anos de governo e para 41% no terceiro ano do governo Lula. ''O Brasil precisa criar tributos e contribuição para atender a demanda crescente com a máquina pública. Os gastos com passagens de aviões de servidores no governo Lula cresceu mil por cento. O sistema administrativo não tem qualquer cuidado com as despesas e a população é quem paga os exageros da União'', ponderou ele.
No ano passado, a arrecadação com impostos teria somado R$ 110 bilhões. Entretanto, a arrecadação com as contribuições (que são exclusivas da União) chegou a R$ 130 bilhões. ''Só poderia se justificar essa carga se os serviços devolvidos para a população fossem adequados. Entretanto, a gestão é incompetente e a sociedade padece sem ter moradia, saúde e educação de qualidade'', complementou o senador do PDT.
Ao contrário do que se esperava, Flavio Arns (PT) não fez um discurso apaixonado em defesa do governo federal. Mostrou que existiam problemas no atual governo, mas que só poderiam ser resolvidos com pressão popular. O pior deles seria a dívida externa brasileira, que impediria a aplicação de recursos no Brasil e a redução dos juros. ''O Banco Central está completamente equivocado. Juros altos fazem a alegria dos investidores internacionais'', pontuou o parlamentar.


