Curitiba Os empresários paranaenses reunidos ontem, em Curitiba, clamaram por redução dos juros e recursos para financiar o desenvolvimento econômico do País. Para o secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal, ministro Tarso Genro, que participou do encontro dos empresários, esse é o pedido mais frequente que tem ouvido pela classe empresarial de outros estados brasileiros.
Genro esteve no Paraná para colher informações dos empresários, que se reuniram para discutir a retomada do desenvolvimento econômico. O resultado da discussão foi sintetizada pelo Instituto Paraná Desenvolvimento, órgão que promoveu o encontro, num documento denominado de ''Carta de Curitiba''.
Genro não quis se comprometer em estabelecer qual taxa de juros será praticada até o final do ano, mas antecipou que para 2004, o governo trabalha com uma taxa de juros de 8,24% real (extraída a inflação). O ministro acredita que a economia vai melhorar a partir de 2004, quando o governo estiver manejando seu próprio orçamento, com taxas de juros mais baixas.
O ministro disse que o governo está sensível ao pedido da classe empresarial que teme um aumento da carga tributária na reforma tributária, mas lembrou que a sociedade deve se mobilizar também em direção ao Congresso, onde as reformas serão votadas. Ele descartou, porém, mudanças estruturais nos projetos enviados pelo governo. Na reforma tributária, Genro salientou que o governo quer substituir a guerra fiscal entre os estados pela exigência de mais talento e qualidade dos governantes em ensino e centros de pesquisa qualificados, que deve ser a contrapartida dos estados.
Segundo Genro, o governo não vai abrir mão de acabar com privilégidos na reforma previdenciária e que vai manter sua meta manter o caráter distributivo da reforma, que é elevar o aumento do teto do regime geral de aposentadoria, que hoje é de R$ 386,00 em média. Enquanto isso, o teto do setor público é de R$ 2.100,00, comparou.
A respeito dos seguidos pedidos de paciência que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vem fazendo à sociedade, em relação à economia, Genro disse que o pior já passou e daqui para frente é possível planejar um segundo semestre melhor. Para isso, ele lembrou que a equipe econômica do governo federal pegou um governo sem crédito para financiar as exportações e conseguiu reverter a situação com êxito. Além de recuperar o crédito, o governo conseguiu expandir o financiamento da safra agrícola em 12% e reduziu o dólar a patamares aceitáveis.
Na Carta de Curitiba, encaminhada ao governo federal, os empresários pedem que a equipe econômica deixe de recorrer à taxa de juros como único instrumento eficaz de controle da inflação. Eles justificam que estão vivendo o dilema dos juros altos desde 1982 e desde então a crise brasileira não foi revertida.
Os empresários querem ainda que o governo acabe com o confisco da poupança da sociedade, representado pelo excesso de impostos. E pediram também mais eficiência nos serviços públicos, através da eliminação do excesso de burocracia que emperra o atendimento ao público e prejudica as empresas.

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