Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca amanhã para o Oriente Médio, onde visitará cinco países - Síria, Líbano, Emirados Árabes, Egito e Líbia - e, até o dia 10, tentará usufruir do prestígio internacional conquistado nos últimos meses para alavancar oportunidades comerciais e reforçar a imagem do Brasil na região. Lula não estará sozinho. Além de um grupo de ministros e do presidente da Comissão do Mercosul, o argentino Eduardo Duhalde, convidado especial de Lula, o Itamaraty confirmou a presença de representantes de 45 empresas brasileiras. As informações são da Agência Brasil.
Os empresários depositam nessa caravana a esperança de estreitar laços com possíveis parceiros locais, a fim de impulsionar as exportações e atrair investimentos. Só no ano passado, o comércio exterior do Brasil com a região cresceu 16% em relação a 2001 e chegaram a US$ 2,6 bilhões. Atualmente, o Oriente Médio responde por pouco mais de 4% das exportações brasileiras, o que configura uma ocasião favorável para a expansão. Diante dessa realidade, os empresários brasileiros sabem que, a partir da promoção dos produtos e de conhecimentos mais aprofundados dos comerciantes das Arábias e consumidores, os negócios podem prosperar com maior vigor.
Empresas brasileiras circulam, há décadas, por aqueles lados, e podem servir de referência para as que estudam se aventurar no Golfo Pérsico. A catarinense Sadia é uma delas. Está na região desde 1975. A penetração naqueles mercados foi possível graças a preços competitivos, que permitiram a popularização do consumo de carne de aves, até então pouco difundido.
Hoje, a Sadia consegue vender até quibe aos árabes. Mas não foi fácil conquistar a confiança. Para que se tenha uma idéia, por exigência da religião islâmica, os frangos exportados para a região são abatidos com a cabeça voltada para Meca - local sagrado para os islâmicos. Representantes comerciais do Oriente Médio também vieram ao Brasil saber se as instalações e os procedimentos da empresa brasileira estavam em conformidade com suas especificações.
A Volkswagen do Brasil viveu situação semelhante. Nos anos 80, vendeu aproximadamente 170 mil veículos para a região. Até hoje é possível ver automóveis Passat trafegando nas ruas de Bagdá, Beirute ou Damasco. A descontinuidade dos negócios, entretanto, prejudicou a companhia. Por quase 15 anos, a VW viu suas vendas minguarem. As negociações só foram retomadas em 2000. Um lote de 150 unidades do modelo Saveiro acaba de ser liberado para o Líbano. Nos próximos meses, será a vez do Pólo Sedan invadir concessionárias sauditas.

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