A entrada do Chile no Mercosul ganhou ontem o apoio oficial de empresários chilenos e brasileiros. Reunidos na Federação do Comércio do Estado de São Paulo, representantes dos dois países assinaram uma declaração na qual se comprometem a trabalhar a favor do livre comércio e da liberalização do comércio de bens e serviços.
Segundo Mario Agliati, vice-presidente da Câmara Nacional de Comércio, Serviços e Turismo do Chile, o principal obstáculo para a entrada do país no Mercosul é tarifário.
Pelo acordo, a Federação de Comércio, a Câmara Nacional de Comércio, Serviços e Turismo do Chile e a Corporação Nacional de Exportadores do Chile se comprometem a coordenar esforços, junto aos respectivos governos, para eliminar barreiras ao comércio e aos investimentos entre os dois países. Os empresários também concordaram em trocar informações sobre novas oportunidades de negócios e investimentos, além da realização de seminários, palestras e promoção de missões comerciais.
A classe empresarial chilena quer entrar para o Mercosul, mas só apóia o ingresso se o Chile mantiver sua política tarifária e se o Mercosul se comprometer com ideais democráticos. ‘‘Com essas barreiras não dá para entrar no Mercosul’’, disse Gabriela Riutort, diretora de Promoção de Exportações (Prochile).
O Chile depende do livre comércio para se desenvolver, segundo os empresários. O mercado interno chileno é formado por apenas 14 milhões de habitantes. O crescimento do PIB nos últimos anos, a taxas superiores a 5%, tem gerado um grande volume de excedente exportável que está em busca de mercados.
Durante a década de 90, o Chile tem registrado déficit crônico com o Brasil. No ano passado, a balança bilateral ficou negativa em US$ 264 milhões, valor inferior ao de 1998, de US$ 313 milhões. O Brasil era o segundo maior comprador do Chile, absorvendo 6% das vendas externas (cobre, principalmente), mas já caiu para quarto lugar, comprando apenas 4% das exportações chilenas. Os Estados Unidos são o maior parceiro comercial do Chile.

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