Empresários apreensivos com os rumos da economia
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sexta-feira, 20 de outubro de 2006
Da Redação 
Dentro de pouco mais de três meses o Brasil irá começar uma nova fase. Vão assumir os novos governadores e o novo presidente. E o empresariado está apreensivo com o que está por vir. O maior medo não é o de que aconteçam grandes mudanças na economia. A preocupação é exatamente o contrário, a de que nada aconteça e o país continue crescendo neste ritmo lento que não estimula investimentos e geração de riquezas.
O Brasil ocupa o sétimo posto entre os países mais empreendedores do mundo. Vários fatores podem ser creditados a isto. Entre eles a notória criatividade das pessoas e a redução de empregos bem remunerados que obriga o profissional a buscar uma forma de manter o padrão de vida da família. E o caminho para isso, geralmente, passa pela iniciativa privada.
O consultor paulista Antonio Marangon afirma que o empreendedorismo no País precisa ser estimulado, ''para desenvolver negócios, criar empregos, dar oportunidades e dignidade aos cidadãos, tirar os jovens das ruas, oferecendo-lhes uma perspectiva melhor de vida. Não ao contrário, como temos visto e acompanhado no Brasil de hoje'', comenta.
Segundo ele, a carga tributária, que já excedeu os patamares do razoável, pulando, no período de 1970 a 2005, de 25,3% para 37,4% do PIB; os encargos sobre salários, na faixa de 42,5%, perdendo neste quesito, apenas para a Dinamarca, com 42.9%, dados recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) comprovam que o Brasil que já está na contramão da história, apresentando um crescimento de apenas (3,4%) PIB no primeiro trimestre de 2006, se não tomar atitudes rápidas poderá continuar descendo ladeira a baixo.
Com a carga tributária batendo os 40% do Produto Interno Bruto (PIB), manter uma empresa funcionando é quase um ato de heroísmo, diz o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro. Segundo ele, hoje o maior desafio dos empresários é estar rigorosamente em dia com as obrigações fiscais.
''Diferentemente de uma prefeitura, de um governo, a empresa privada precisa estar o tempo todo correndo atrás de novos clientes para se manter no mercado. ''É por isso que estamos apreensivos. Pelo menos por enquanto os candidatos não deixaram claro o que pretendem fazer com a economia. Uma coisa é certa, nem um nem outro dão sinais que desejam reduzir a máquina administrativa. Ou seja, os custos operacionais do governo vão continuar crescendo e quem acaba pagando a conta é o empresário'', explica Ribeiro.
O problema é que nem todo mundo está aguentando carregar o fardo dos impostos. Segundo dados do IBPT, a sonegação fiscal em 2005 chegou a R$ 287 bilhões e a inadimplência tributária cresceu 59% nos últimos três anos. A carga tributária sofreu um aumento de cerca de 21% entre 1998 e 2005. ''Para o governo é fácil. Eles criam novas despesas e mandam a conta para o contribuinte pagar só que a situação está ficando insustentável e o pior é que parece que eles têm medo de falar em corte de despesas. Pelo jeito temem perder votos, só que não é possível continuar mais assim'', comenta Ribeiro.


