A possibilidade de aumento do salário mínimo para R$ 180 é bem recebida pela classe empresarial. Mas representantes de alguns setores ouvidos pela Folha em Londrina fazem uma ressalva: aliado ao aumento, o governo tem que estudar e propor uma redução na carga fiscal. ‘‘A redução da carga tributária e dos encargos previdenciários é uma antiga reivindicação’’, comenta o economista João Rezende.
O diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) Brasilio Andrade Júnior ressalta que os encargos sobre cada funcionário variam de 92% a 106% sobre o salário recebido. ‘‘Todo e qualquer empresário gostaria de pagar melhor seus funcionários porque quem ganha pouco trabalha mal e sem vontade. Nosso problema é a carga fiscal, cruel e mal aplicada’’, critica.
Para o presidente da Milenia Agroindústria, Oswaldo Pitol, o aumento do salário mínimo viria apenas recuperar o poder de compra que os trabalhadores desta faixa salarial tinham no início do Plano Real. ‘‘Não está havendo nenhuma novidade, porque no começo do Plano Real o salário era equivalente a US$ 100. O valor só estaria voltando ao que já foi’’.
A Milenia emprega 1.100 funcionários, mas nenhum ganha salário mínimo. O menor valor pago na empresa, segundo Pitol, é R$ 364,00, incluindo benefícios. ‘‘Para nós, o possível novo valor não traria impacto nenhum.’’
O gerente da fábrica de panelas Alumax, que tem cerca de 15 funcionários, Fabiano Rodrigues, também concorda com o aumento embora acredite que haverá uma impacto significativo sobre a folha de pagamento da empresa. ‘‘Eu até gostaria que o valor fosse maior. Com mais dinheiro circulando, as vendas podem melhorar’’.
Para a prefeitura, o único impacto seria referente ao salário pago a cerca de 140 estagiários, segundo informações do secretário da Fazenda, Francisco Simões.