Empresários acusam McDonald's de canibalização
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segunda-feira, 14 de julho de 2003
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Franqueados da rede de lanches McDonald's acusam a empresa de promover a canibalização, além de cobrar aluguéis de sublocação maiores do que o permitido por lei. Segundo a Associação de Franqueados Independentes McDonald's (Afim) já são 40 empresários em litígio contra a empresa - destes, três são do Paraná, sendo que um de Londrina - mas de acordo com informações da assessoria jurídica da rede, são 33 os empresários que acionaram o McDonald's judicialmente.
Para os franqueados, o objetivo da rede de fast food seria adquirir as lojas dos empresários por preços baixos, com a vantagem de já possuírem clientela formada. Segundo o advogado Raphael Miranda, que representa cerca de 10 empresários do País em ações contra a McDonalds, os problemas com a rede começam já no contrato da franquia.
De acordo com normas da empresa, os franqueados não podem ser proprietários dos prédios onde trabalham. A McDonald's aluga os imóveis, faz as adequações para o padrão da rede e subloca para os franqueados. O problema, segundo Miranda, é que os aluguéis de sublocação chegam a ser de seis a sete vezes superiores aos valores de locação, o que seria proibido, de acordo com o artigo 21 da Lei de Locação.
O aluguel cobrado pela empresa, segundo Jacques Raul Rigler, franqueado e dono de quatro restaurantes da marca em Curitiba, varia entre 15% e 25% do faturamento da loja. ''Nunca nos deram nenhum tipo de incentivo fiscal. Dessa forma, o negócio vira uma franquia-engodo, pois os encargos contratuais forçam a quebra das lojas.''
Quem se nega a pagar o valor cobrado corre o risco de ser despejado. De acordo com informações do departamento jurídico do McDonald's, a empresa está movendo ações de despejo contra 33 franqueados por falta de pagamento de aluguel. Esses empresários estariam fazendo os pagamentos em forma de depósitos judiciais, em valores correspondentes ao que entendem ser o correto - cerca de 5% do faturamento bruto das lojas.
A canibalização da rede também é problema, segundo Rigler, que é diretor da Afim. ''Restaurantes da empresa instalam-se bem próximos a lojas de franqueados, o que diminui a clientela de um local e aumenta o potencial de outro. Foi justamente isso que nos levou a investigar os valores de aluguéis, já que duas lojas próximas, com praticamente a mesma clientela, deveriam ter o mesmo desempenho. O que acontece é que as lojas da rede sempre estão melhores do que as dos franqueados.''
Rigler explica que as normas da empresa determinam que duas lojas devem se distanciar por no mínimo 20 minutos de caminhada ou 6 minutos de viagem de carro. ''Mas mesmo essa norma, que é da própria rede, não é respeitada pelo McDonald's.''
A Folha tentou ouvir o advogado da rede de restaurantes, Edgard Siqueira Bueno Filho, mas foi informada pela assessoria de imprensa que as perguntas para o departamento jurídico deveriam ser encaminhadas por e-mail. Questionado sobre a acusação de canibalização da rede e troca de funções por sublocar imóveis, o departamento jurídico da empresa respondeu que são ''acusações ridículas e absurdas'', sem justificar as respostas.


