Nada melhor que uma água de coco gelada para refrescar e repor as energias no verão. Em Londrina, pelo menos 30 mil unidades de coco verde são consumidas nos meses quentes entre os carrinhos espalhados pelas avenidas mais movimentadas e pelo Zerão, além das máquinas que retiram e gelam a água do coco automaticamente, distribuidas em oito pontos diferentes da cidade, principalmente em supermercados e shoppings.
O administrador de empresas Fábio Igarashi é o principal fornecedor de coco verde em Londrina, junto do comerciante Renato Ciapina, dono de uma loja na Avenida Dez de Dezembro. No verão, vendedores ambulantes também costumam aparecer nas esquinas da cidade com o caminhão cheio de cocos. ''Por isso fica difícil calcular com precisão quanto é consumido da fruta'', diz Igarashi.
Renato Ciapina atende 50 fregueses, mas o forte é o comércio na loja. ''Vendo até 2 mil cocos por semana'', calcula. Todo o lixo formado pelas cascas do coco verde são acumulados numa caçamba e levados pelo próprio comerciante ao lixão municipal uma vez por semana. Em média, a loja produz mil quilos de lixo semanalmente. ''Metade dos clientes costuma comer a polpa do coco e metade prefere beber só a água'', conta.
Igarashi e Ciapina são parceiros na compra da fruta, que vem principalmente da Bahia e do Espírito Santo. Eles fazem os pedidos por telefone e a entrega acontece até três dias depois. ''O coco mais saboroso é mesmo o que vem da Bahia'', assegura Igarashi.
Em parceria com um amigo, ele desenvolveu um sistema de reaproveitamento das cascas de coco verde. Esse lixo, propício à hospedagem do mosquito da dengue, demora de 10 a 12 anos para se decompor e causa risco ao meio-ambiente e à saúde da população.
Igarashi recolhe semanalmente o lixo produzido pelas máquinas da Coco Express que, em tempo quente, soma aproximadamente 8 mil unidades da fruta. Todas as cascas são, então, levadas à propriedade da família Tsugue, na Gleba Palhano, para serem trituradas.
''Depois de triturada, a fibra descansa até apodrecer antes de ser utilizada como cobertura de plantas e flores. Quanto mais tempo a mistura ficar parada melhor será o resultado na terra'', explica Igarashi.
A experiência já tem quase três anos e reuniu investimentos na ordem de R$ 6 mil para a fabricação do triturador. Roberto Tsugue, amigo de Igarashi, foi quem sugeriu o reaproveitamento das cascas de coco, além de oferecer a propriedade para realizar os testes.
O pai de Roberto, Emiki Tsugue, é um apaixonado por plantas e cuida de uma estufa enorme no sítio, cheia de lírios da paz, samambaias e orquídeas. Ele utiliza a fibra de coco como cobertura das flores e garante que é um ótimo adubo, ''além de conservar a umidade e não compactar o solo''. Por enquanto, os amigos não estão vendendo o substrato, mas a idéia é comercializar a fibra de coco em forma de xaxim no futuro.
Segundo a pesquisadora Morsyleide de Freitas Rosa, da Embrapa Agroindústria Tropical, de Fortaleza (CE), é possível desenvolver diversos produtos derivados da casca de coco verde para uso na agricultura, indústria e construção civil, inclusive substituir o uso da samambaiaçu na fabricação de vasos e substratos agrícolas para plantas.
Tecida em forma de manta, a fibra transforma-se em excelente material para ser usado em superfícies sujeitas à erosão provocada pela ação de chuvas ou ventos. Morsyleide destaca ainda que a Embrapa já desenvolveu, de forma experimental, uma manta geotêxtil a partir da casca de coco verde que pode ser utilizada na contenção de dunas e encostas, na recuperação de áreas degradadas e na proteção de margens de cursos de água.

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