Emerson Cervi
De Curitiba
A busca por fontes alternativas de energia no Paraná é uma das prioridades da Copel e de alguns centros de pesquisa ligados à Secretaria de Estado de Tecnologia e Ensino Superior. Desde 1974 está em funcionamento no município de Figueira, norte do Paraná, uma termoelétrica a base de carvão vegetal. A usina está em fase de ampliação. Outras opções consideradas são o gás natural e o xisto mineral.
A proposta do empresário Francisco Cunha Pereira Filho, diretor-presidente do jornal Gazeta do Povo e da TV Paranaense, de dar atenção para estudos de uma nova matriz energética no Estado, com base na fusão do núcleo de urânio em usina nuclear, é uma novidade para estes órgãos. Em discurso na entrega do prêmio Homem de Vendas do Ano, na quinta-feira à noite, Pereira fez um apelo aos cientistas e centros de pesquisa do Paraná para que pesquisem formas de dominar a energia nuclear no Estado. ‘‘Reconheço que a proposta é polêmica, mesmo assim a marca do Paraná tem sido a exportação de energia, mas nossas reservas estão se esgotando e tempos que pensar em alternativas’’, discursou.
Departamentos técnicos da Copel não têm pesquisas sobre o assunto. O Secretário de Ciência e Tecnologia, Ramiro Warhahfitg, diz que é preciso analisar os custos e riscos de um projeto desse porte. Em junho passado, o governador Jaime Lerner (PFL) assinou um protocolo com o Ministério das Minas e Energia para implantação de duas usinas termoelétricas com base em gás mineral, uma em Araucária e outra em Londrina. Outro protocolo prevê a exploração de xisto mineral pela usina de São Mateus do Sul.
O empresário citou, em seu discurso, que a segunda maior reserva de urânio no Brasil está em Figueira. ‘‘Não será coerente, no futuro, vendermos o minério para ser processado em outros Estados e depois comprar a energia; o ideal será explorarmos a fonte energética para agregar valor aqui’’. O professor Dante Puchta, presidente da Associação Brasileira de Ensino Técnico Industrial, discorda de Pereira. Ele afirma que a matriz energética do próximo milênio será a biomassa e não a fissão nuclear. ‘‘Vou procurar o empresário Francisco Cunha Pereira para mostrar alguns equívocos na proposta dele e apresentar alternativas viáveis’’, afirmou.
A biomassa gerada por culturas agrícolas do milho, mandioca e cana de açúcar, comuns em várias regiões do Paraná, é uma fonte de energia ainda não explorada adequadamente. ‘‘Existe tecnologia disponível no Brasil para essa matriz, se dermos mais importância para a biomassa será possível exportar muita energia do Paraná sem os riscos das usinas nucleares’’, garantiu.
Como o Paraná é rico nessa matéria-prima, a exploração da biomassa reduziria a dependência às hidrelétricas, ao gás natural – que é importado e caro – e ao carvão mineral, que no Estado é de baixa qualidade para produção de energia.

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