Empresário não confia na economia do País
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Agência Folha<br> Do Rio 
O índice de confiança do empresariado industrial brasileiro caiu para o menor nível desde janeiro de 1999. Pesquisa divulgada ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) registrou um índice de confiança de 47,3 pontos referente ao terceiro trimestre do ano, contra 48 pontos registrados no trimestre anterior.
Em janeiro de 1999, o índice apurado foi de 45,2 pontos, quando a desvalorização cambial afetou fortemente a confiança dos empresários.
As principais razões do resultado do terceiro trimestre de 2001 foram as incertezas sobre as consequências dos ataques terroristas nos EUA e da ofensiva militar contra o Afeganistão, os efeitos negativos da crise energética, a alta do juros e do dólar, e o agravamento da crise argentina.
Segundo a metodologia da pesquisa, uma pontuação abaixo de 50 pontos representa uma avaliação negativa da economia. No mesmo período do ano passado, o índice de confiança ficou em 63,5 pontos. A sondagem foi realizada entre os dias 20 de setembro e 16 de outubro, já incluindo, portanto, as expectativas após os ataques terroristas contra os EUA.
A CNI entrevistou executivos de 1.586 empresas em todos os Estados do país e no Distrito Federal. Segundo avaliação da coordenadora-adjunta da unidade de Política Econômica da CNI, Simone Saisse, o índice mostra uma manutenção do patamar verificado em julho.
''Se não fossem os ataques terroristas, é possível que tivéssemos uma recuperação no índice. O racionamento acabou se mostrando menos grave do que se esperava'', afirmou. ''Mas não há dúvida que a confiança permanece abalada''.
De acordo com a economista, o resultado divulgado ontem é um indicador de que o nível da atividade industrial nos próximos seis meses tende a se manter reduzido.
O resultado, segundo ela, revela que o ''clima'' entre o empresariado é parecido com o da crise cambial em janeiro de 1999, quando se esperava que a inflação voltasse a subir muito. ''Naquela época, a preocupação era com o câmbio e com suas implicações. Agora, há uma sucessão de eventos desfavoráveis'', disse.


