Da mesma forma que a redução da jornada de trabalho é consenso entre as seis centrais sindicais, a rejeição a ela é unanimidade entre os empregadores. "Poderia até ser uma alternativa a longo prazo, se tivéssemos ganho de produtividade. O trabalhador precisa entender que um aumento de custo para a empresa tem de ser compensado com o corte de outro. Do contrário, esse aumento vai parar no consumidor. Ou seja, vai pressionar a inflação", afirma o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal), Valter Orsi.
De acordo com Orsi, o trabalhador brasileiro tem recebido aumento salarial real bem acima da evolução de sua produtividade. "Aliás, de 2012 para 2011, o índice de produtividade do trabalhador brasileiro recuou 0,3%", afirma, citando levantamento do centro de pesquisa Conference Board.
Ele compara a produtividade do operário brasileiro com o dos demais países emergentes. "De 2006 a 2011, enquanto a média do crescimento do índice foi de 5,7% nos emergentes, no Brasil ficou apenas em 2%", critica. De acordo com Orsi, a razão para o trabalhador brasileiro ser menos produtivo é a falta de investimentos em equipamentos e em capacitação.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Flávio Balan, afirma que o empresário brasileiro não aguentaria a redução da jornada de trabalho. "Além do Custo Brasil, da falta de infraestrutura, teríamos de suportar mais isso?", questiona.
Para ele, a "carga horária socialista" já foi testada na Europa e o resultado foi ruim. "Nos países como França e Alemanha, após a redução da jornada, os investimentos migraram para outros locais onde os operários podem trabalhar mais", alega. (N.B.)

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