Carmem Murara
De Curitiba
Não aceitar propinas, não manter caixa dois e ainda se comprometer a cumprir prazos de entrega e contratos. Estas são algumas regras básicas de conduta que passam despercebidas por muitas empresas que, em nome da competitividade, riscaram de seus cadernos a palavra ‘‘ética empresarial’’. E para lembrá-los de que ética não é um substantivo que deva nortear a conduta apenas de políticos ou da sociedade de modo geral, um empresário curitibano decidiu escrever um livro com as leis básicas da moralidade.
O empresário Roberto Costa de Oliveira, diretor geral da empresa Exal Excelência em Alimentação, ainda está compilando o livro, que deverá ser publicado até o final deste ano. O conteúdo se baseia em palestras que ele tem feito para executivos e para comunidades evangélicas, no Estado. A idéia do livro surgiu quando Oliveira começou a ser requisitado para falar a grupos luteranos interessados em saber como poderiam administrar seus negócios sem cair na tentação da corrupção.
Oliveira garante que o processo é simples, mas exige um esforço diário para não se deixar corromper, basta garantir a produtividade em todos os segmentos de uma empresa, seja ela grande ou pequena. ‘‘Se percebemos que em alguns negócios o que está pesando é a propina ou algum esquema mais obscuro nós não participamos. E nem por isso temos problemas para nos manter competitivos’’, garante o empresário.
Como prova, ele cita a própria empresa que administra. A Exal lidera hoje o setor de refeições coletivas no segmento privado, o que representa um faturamento anual de R$ 15,5 milhões, segundo o último balanço relativo ao ano passado. Fundada há seis anos, em Curitiba, a empresa teve um crescimento patrimonial de 12 vezes e o número de funcionários foi multiplicado por 2,4.
Os clientes passaram de de cinco para 40 restaurantes o que garante o fornecimento de 32,5 mil refeições ao dia. Segundo Oliveira, a última pesquisa de satisfação no trabalho mostrou que 89% dos funcionários gostavam do serviço que faziam. A média nacional gira em torno de 55%.

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