Empresários e empregados estão convencidos de que as medidas de ajuste fiscal a serem anunciadas hoje pelo área econômica trarão uma grande elevação do número de desempregados no País. ‘‘Se o mercado financeiro aceitar o pacote do governo vamos ter muitas demissões. Mas, se não aceitar, teremos o caos’’, previu o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. O vice-presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e deputado eleito pelo PFL de São Paulo, Carlos Eduardo Moreira Ferreira (foto), não foi menos catastrófico. ‘‘Não tenho dúvidas de que o nível de desemprego aumentará em decorrência das medidas’’, avisou.
Moreira Ferreira, no entanto, evitou dizer que o caos se instalaria com as medidas de ajuste e o atraso na aprovação das reformas. Mas advertiu: ‘‘não diria que seria o caos (se as reformas não forem aprovadas), mas seria uma coisa absolutamente insuportável’’.
Já o presidente da Fiesp - Federação das Indústrias de São Paulo, Horácio Lafer Piva, previu um final de ano e um primeiro trimestre do ano de 99 ‘‘muito difícil’’. Segundo ele, seria ‘‘leviandade’’ os empresários se comprometerem a não demitir após o anúncio das medidas de ajuste. Ele espera que as medidas de ajuste tenham o menor impacto possível sobre as empresas porque ao desempregar, os empresários também perdem mercado. Piva está convencido de que as medidas de ajuste vão provocar ‘‘uma depressão sobre o PIB e uma taxa negativa de crescimento’’.
As declarações de Horácio Piva, Moreira Ferreira e de Paulinho, que agora estão falando a mesma língua, foram dadas depois de um encontro dos três, separadamente, com o vice-presidente Marco Maciel. Eles exigiram do governo corte nos gastos públicos, já que será exigido sacrifício da população. Todos condenaram também a elevação da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. ‘‘A CPMF tira a competitividade dos produtos brasileiros’’, declarou Piva, acentuando que elevar a alíquota será ‘‘um erro’’.

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