Empresário deve fugir de financiamentos
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domingo, 11 de janeiro de 1998
Carmem Murara Curitiba 
Marcelo AlmeidaConcorrênciaO economista Gilberto Camargo: empresa nacional terá dificuldade de competir com produtos asiáticosOs financiamentos em bancos nacionais se tornaram um dos grandes vilões do empresariado brasileiro e devem comprometer o desempenho das empresas neste ano. A análise é do economista Gilberto Camargo, especialista em consultoria empresarial. Ele acredita que 1998 será a prova de fogo para avaliar a capacidade de sobrevivência das empresas após o Plano Real. A maior dúvida é se as empresas conseguirão se manter competitivas em relação à concorrência internacional.
Segundo estimativas feitas pelo governo federal, o País deverá atrair US$ 20 bilhões em investimentos estrangeiros nos próximos anos. Gilberto Camargo diz que as reservas cambiais brasileiras representam quase 50% deste total. A atração dos investimentos internacionais mostra que a América Latina é mesmo o mercado futuro, afirma o economista. O Brasil é o País que mais atrai o capital internacional.
Carmargo lembra que a entrada das empresas estrangeiras no País só reforçam a necessidade de modernização da indústria nacional. O primeiro passo, diz o economista, é buscar parcerias com outros grupos para se manter competitivo. Desta maneira, a empresa nacional pode se fortalecer. Outra alternativa, é a abertura de capital. Muito inteligente é tentar se capitalizar através da produtividade, reduzindo estoques, aconselha.
Especialista em negociação de passivo finaceiro, o economista diz que um dos problemas da indústria brasileira é que a maioria pertence a um mesmo núcleo familiar. Segundo o economista, a sobrevivência de uma empresa familiar é de 40 a 50 anos, no máximo. Em três gerações, uma empresa administrada por uma família tende a desaparecer, afirma. Ele cita como exemplo o grupo paranaense Hermes Macedo, um dos maiores do País, mas que acabou falindo e desmembrando todo o patrimônio. Há ainda os casos da Prosdócimo, Malas Ika, Móveis Pinheiro e Móveis Cimo. Todas fecharam as portas.
O fim de uma empresa familiar acaba sendo normal, comenta o economista. O empresário fundador da empresa sempre acha que o acervo do passado está garantido. Eles acabam não evoluindo da maneira como deveria ser, afirma. Já os filhos e netos do fundador acreditam que o negócio caminha sozinho.
A abertura do País ao capital estrangeiro fez com que as empresas familiares perdessem competitividade. Gilberto Camargo lembra que a chegada do capital estrangeiro no Brasil é um processo sem volta. Até o início do Plano Real, os grupos internacionais não investiam no mercado brasileiro, porque não confiavam nas oscilações da economia nacional.
Com a crise financeira nos países asiáticos, Gilberto Camargo lembra que os produtos exportados por eles se tornarão muito mais competitivos. As mercadorias produzidas pela Coréia serão vendidas para o restante do mundo com preços muito baixos, diz o economista. Ele prevê dificuldade de o País aumentar o volume de exportação, enquanto a Ásia não voltar a ter estabilidade.


