Empresário defende pacto para gerar empregos
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quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 36 horas semanais, sem redução salarial, com a contrapartida dos empregados de aumentar em no mínimo 10% a produtividade. Os governos federal e estaduais, por sua vez, entrariam com incentivos fiscais e tributários. É esta a base do Pacto Empresarial do Pleno Emprego (Pepe), proposta apresentada ontem de manhã pelo empresário Francisco Simeão a um grupo de lideranças de empresários e de trabalhadores convidados pelo secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann.
O objetivo principal do Pepe, segundo Simeão, é reduzir o desemprego no País. Apesar da idéia assustar o empresariado, receoso de aumentar suas despesas, Simeão garante que a proposta, se implantada, dará certo. Há três anos ele implantou o sistema em sua fábrica de pneus, a BS Colway Pneus, em Curitiba. Nesse período, ele também investiu na produção da empresa com a compra de máquinas e ampliação do espaço.
De 130 empregados em 2000, ele passou para 440. Simeão admite que se mantivesse as 44 horas semanais, necessitaria de cerca de 100 empregados a menos. Mas a vantagem, segundo ele, veio em forma de produtividade. A produção cresceu de 25 mil pneus fabricados mensalmente em 2000 para 100 mil neste ano. O custo unitário do produto também caiu 12%. ''Isso significa que se eu vender o pneu pelo mesmo preço do meu concorrente estou ganhando 11% a mais do que ele'', contabiliza.
Sua proposta prevê um pacto de três anos entre as partes. A empresa aumentará em no máximo 20% o número de empregados. Nesses três anos, o governo federal reduziria em 50% os valores a serem recolhidos de encargos sociais, apenas sobre os 20% do número de empregados contratados com o pacto. Já o governo estadual daria uma dilação de 30 dias para o pagamento do ICMS às empresas que adotassem o Pepe e 50% de desconto na tarifa de energia elétrica, também apenas sobre a tarifa adicional a ser consumida com o acréscimo da produção.
''Durante o primeiro ano o empresário pode ter prejuízo, mas depois sai ganhando'', garante. Ele calcula que, se 75% das empresas brasileiras aderissem ao programa, haveria um incremento de 15% sobre a massa de emprego no Brasil. A proposta, segundo ele, já foi encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e debatida com ministros. Simeão, que é vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) também deve contar com o apoio da entidade para levar a idéia adiante.


