A reforma tributária, principal reivindicação das entidades que representam a indústria brasileira, está paralisada por causa da ‘‘falta de vontade política do governo’’. É o que dizem entidades como Ação Empresarial, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Confederações Nacionais da Indústria (CNI), do Comércio (CNC) e da Agricultura (CNA), entre outras, que se reuniram ontem na capital paulista para definir um posicionamento do setor industrial sobre a questão.
Num documento conjunto, as entidades escrevem que, ‘‘em mudanças dessa natureza (reforma tributária) é absolutamente imprescindível que o Executivo tenha um papel de liderança e engajamento (...). Este não tem sido o comportamento observado’’.
Segundo as organizações, isso acontece por causa do ‘‘receio de perda de arrecadação, que, eventualmente, viesse a pôr em risco o equilíbrio fiscal’’. O documento informa que a posição do governo mostra ‘‘o predomínio de uma visão arrecadadora e não um compromisso com a competitividade’’.
O documento diz que o setor empresarial ‘‘reconhece a necessidade de um equilíbrio fiscal duradouro, mas entende que, com vontade política’’, é possível conseguir uma ampla reforma tributária.
As mudanças propostas, recentemente, pelo governo foram consideradas tímidas: ‘‘Pouco ou nada alteram em termos das distorções existentes no sistema atual.’’ Sobre a alteração proposta para a cobrança do PIS/Cofins das exportações, o documento considera que é ‘‘parcial’’ porque ressarce o exportador por meio de créditos, o que ‘‘pressupõe, primeiro, o pagamento do tributo’’, deixando o ressarcimento sujeito a confirmações por procedimentos administrativos.
As entidades finalizam o documento dizendo que ‘‘o governo desperdiçou todas as possibilidades efetivas de realizar’’ a reforma tributária e que, ‘‘por tudo isso, o setor empresarial continuará mobilizado em torno desse objetivo’’.

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