Empresário confessa adulteração
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segunda-feira, 03 de julho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A CPI dos combustíveis realizou, ontem, uma das sessões mais esclarecedoras desde que foi instalada em meados de abril. O empresário Wagner da Silva Valério, flagrado transportando carga ilegal de solvente em Londrina, admitiu que adultera combustível e envolveu a Indústria de Tintas Resibril, de Campina Grande do Sul, como a fornecedora da carga. Em acareação com Valério, a sócia-gerente da Resibril, Natalina Sacchi negou a acusação. Valério colocou à disposição da CPI a abertura do seu sigilo telefônico.
A negativa de Natalina não convenceu os deputados. O presidente da CPI Durval Amaral disse que não tem mais dúvidas que a Resibril é fornecedora de solvente para adulteração de combustível. Uma das revelações feitas por Sacchi que chamou a atenção dos deputados foi a ligação feita com o empresário Adriano Virgilio Baso, proprietário da Magno Tintas e e da Campina Participações, em Santa Catarina. Baso, segundo o deputado, é o proprietário do terreno onde está instalada a Resibril. Durval Amaral assinalou que o empresário do município de Guamiranga-SC responde por inquéritos de adulteração de combustível instaurado pela polícia catarinenese e é o proprietário em um dos contratos de locação dos caminhões apreendidos pela Receita.
A rede está começando a ficar transparente, disse o deputado. É estranho que um empresário comprovadamente envolvido com adulteração de combustível em Santa Catarina seja proprietário de uma empresa suspeita de vender solvente para adulteração, cujo sócio proprietário foi quem intermediou o contato para venda de carga ilegal.
Na acareação entre Sachi e Valério, ficou evidente como ocorreu a operação. Valério admitiu que comprava solvente para revender aos postos e fazia a mistura com a gasolina em sua chácara, em Londrina, onde tem uma bomba de transferência de combustível e um local para armazenagem conhecido como cabagem, o que é ilegal. Também admitiu que tem dois CPFs.
Valério disse que foi contatado inicialmente via telefone por Luiz Carlos Manfio de Souza, um dos sócios fundadores da Resibril, atualmente desligado da empresa. Manfio é proprietário da fábrica de tintas Grancor, em Cambará e, segundo Valério, foi quem intermediou a venda do solvente da Resibril. Manfio foi quem fez o pedido para misturar o combustível, ainda na versão de Valério. Posteriormente ele foi contatado pela própria Resibril, mas não soube apontar quem foi o interlocutor.
Valério contou que recebeu um fax da Resibril informando que o depósito do dinheiro que pagaria a operação foi enviado em nome do posto Nossa Senhora Aparecida, de Rolândia, de propriedade de seu pai. Com isso, fez o transporte. Ele teve dois caminhões com 35.000 litros de solvente, cada um, flagrados pela polícia.
Natalina Sacchi, da Resibril, negou as acusações. Disse que a Grancor não tem mais negócios com sua empresa há cinco anos e insistiu que a carga apreendida em Londrina teria sido encomedanda pela Jabur. Mas não apresentou nenhum comprovante. Valério disse que trabalhou há 25 anos na Jabur e que uma compra no valor de R$ 75 mil não seria feita sem checagem. Leia sobre preços de combustíveis na página 3.


