Empresário briga por combustível
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sexta-feira, 06 de abril de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
O empresário Hélio Laurindo, proprietário do Posto Stop, em Cascavel, está há mais de 60 dias sem receber combustível da distribuidora Ipiranga. Os problemas com a empresa começaram há mais de um ano, depois que Hélio fez denúncias ao Ministério Público sobre as pressões que vinha sofrendo para aumentar o preço do combustível, mesmo sem a autorização de reajustes por parte do governo federal. A distribuidora se nega a fornecer o combustível e a briga foi parar na Justiça.
O empresário diz que o assessor da empresa na região, Gilbert Rodrigues, exigia que o preço do combustível fosse elevado para que pudessem aumentar a margem de lucro da distribuidora. Segundo Hélio Laurindo, como ele se recusava a elevar o preço do produto, a empresa passou a fazer retaliações, como cortar o crédito do posto. Eles cortaram meu crédito, só podia comprar à vista. Depois chegaram ao absurdo de não aceitar mais o cheque da empresa. Vendiam apenas com dinheiro em mãos, completa.
A situação de Hélio Laurindo se complicou depois que ele inaugurou, no início do ano passado, outro posto de combustível, dessa vez, com bandeira branca, ou seja, podendo comprar de qualquer distribuidora. A Ipiranga entrou na Justiça pedindo o despejo do empresário baseada na lei do inquilinato, segundo a qual o contrato pode ser rompido por qualquer das partes desde que haja um comunicado com 30 dias de antecedência.
O empresário diz que a distribuidora tomou a decisão por não aceitar a concorrência, que considerava injusta. Hélio Laurindo reclama que a empresa se negava a pagar uma indenização por sua participação na reforma do posto e na compra de equipamentos. Além disso, quando compramos o posto tivemos que pagar um Fundo de Comércio, não posso perder todo esse dinheiro, acrescenta.
A Justiça que já determinou a volta do fornecimento do combustível, porém até o momento a ordem não foi acatada pela Ipiranga. Para informar os clientes o motivo da falta de combustível, o empresário afixou faixas em frente ao posto, dizendo que a empresa está desrespeitando uma decisão judicial.
Hélio Laurindo reclama que em outras cidades, como Londrina, a gasolina é vendida aos postos a R$ 1,37. Em Cascavel, a Ipiranga repassa o produto a R$ 1,47. O empresário calcula em mais de R$ 35 mil os prejuízos até o momento e afirma que os mais prejudicados são os funcionários. Até agora já demitimos cinco empregados e a tendência é aumentar esse número. Esperamos que a empresa faça o ressarcimento por todo esse prejuízo, completa.
O gerente de vendas da Ipiranga, Maurício do Rosário Júnior, diz que a versão do empresário está equivocada, pois seria ele que não estaria querendo continuar trabalhando com a empresa. Em relação a receber o pagamento apenas em dinheiro, seria por uma dívida existente do empresário. Ele tem uma dívida conosco, por isso, decidimos só receber em dinheiro. Agora, ele decidiu trabalhar com bandeira branca e não quer mais saber da Ipiranga.


