Brasília - O Banco Mundial (Bird) disparou ontem um alerta ao governo brasileiro sobre a necessidade de formular e de avançar em uma agenda de reformas ao apontar que o Brasil mantém um nível de corrupção mais elevado do que a China, um dos principais concorrentes do País na atração de investimentos estrangeiros produtivos.
Em uma comparação entre as três economias, que consta do estudo ''Clima de Investimento no Brasil'', organizado pelo Bird, o País mostra-se em desvantagem também no que se que refere à confiança de suas empresas na Justiça, na velocidade de liberação de exportações e de importações nas aduanas e ainda na certificação de firmas. Sem uma agenda microeconômica que ataque esses problemas, acentua o documento, a falta de dinamismo da economia brasileira será potencializada.
Durante o seminário ''Agenda Microeconômica - Evidências e Perspectivas'', no qual foi apresentado o estudo, o economista Armando Castelar, do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), afirmou que a falta de investimentos limitou o crescimento da economia brasileira a 3% ou 3,5% ao ano, apesar do bom momento vivido no plano internacional.
O estudo do Bird foi coordenado pelo economista José Guilherme dos Reis, que foi secretário de Política Econômica no governo Fernando Henrique Cardoso. Foram colhidas informações em 1.642 indústrias de 13 Estados brasileiros, entre julho e outubro de 2003. As informações fazem parte de um amplo banco de dados de 59 países, todos associados ao organismo financeiro, o que permitiu as comparações entre as três economias emergentes.
Nos resultados, as empresas indicaram que 12,2% dos contratos com o governo envolveram o pagamento de ''propinas''. Na China, esse porcentual foi de 2,2%. Não há dados sobre a Índia. A parcela de empresas brasileiras que não acreditam no sistema Judiciário alcançou 39,7%. Na China, o porcentual foi a menos que a metade - 17,6% - e na Índia, de 29,4%.
Entre as dificuldades do dia-a-dia das empresas está a morosidade do sistema aduaneiro, que demora 13,7 dias para a liberação de importações no Brasil - país onde boa parte da produção de manufaturas para exportação depende de componentes importados. Na China, a demora é de 8,1 dias, e na Índia, de 7,1 dias.
Para melhorar o ambiente de negócios no País, o Banco Mundial recomenda uma série de reformas, entre elas a trabalhista. O organismo acha que as empresas, em vez de depositar 8% do salário do trabalhador a título de FGTS, deveria entregar esse dinheiro diretamente ao empregado. Também propõe que se acabe com a multa rescisória e com a demissão por justa causa (que provoca acúmulo de ações na Justiça).

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