O engenheiro mecânico e gerente geral da Nortrac, Martin Stremlow, vê a terceirização como uma forma de o agricultor racionalizar os investimentos. No entanto, constata que a relação entre terceirizado e terceirizador não vai bem. Em primeiro lugar, ele coloca a acirrada concorrência entre as empresas prestadoras de serviços como uma dificuldade entre elas. O preço (5 a 8 sacas de soja por alqueire colhido) deixa pouca margem de lucro para corrigir o capital empatado e o desgaste do equipamento. Aponta a qualidade de serviço como preocupação constante. Uns dão prioridade aos vizinhos e nem sempre há um acordo harmonioso entre contratante e contratado. ‘‘O fato é que todos querem colher ao mesmo tempo e alguém acaba deixando de colher na hora certa’’, resume. Sempre acaba faltando um acordo para equacionar a terceirização.
Outro problema é a disseminação de doenças do solo e das plantas. Segundo Martin Stremlow, o equipamento agrícola é sempre um agente que transporta nematóides para outras regiões ou propriedades. Stremlow considera ainda que as empresas especializadas em colheita viajam para regiões distantes e nunca se sabe as condições de sanidade que encontram; podem disseminar pragas ou doenças que não existem em outras regiões. A terceirização, segundo Stremlow, deve ser bom negócio para o agricultor. Não pode garantir que seja bom para o contratado.

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