Os funcionários da Metalúrgica Pama, aberta em dezembro de 2000 em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, descobriram que foram vítimas de um calote que teria sido armado pelo próprio dono da empresa, Vicente Souza e Silva. A acusação parte dos metalúrgicos que estão sem receber salários e sequer sabem do paradeiro do patrão. ‘‘Ele saiu no dia 9, dizendo que ia ao banco pegar dinheiro para nos pagar, e nunca mais voltou’’, contou ontem o gerente da Pama, Luis Fernando Cubas.
O sumiço de Silva fez com que os empregados descobrissem que caíram no conto do vigário. A empresa estava com uma série de irregularidades. ‘‘Como o Vicente não tinha crédito na praça, eu emprestei meus cartões de crédito para comprar maquinário. Hoje estou devendo em torno de R$ 6,5 mil’’, contou o gerente. Ele se considera o maior lesado.
Além dele, há outros 18 funcionários que ficaram sem salários. Certos de que foram enganados, eles invadiram ontem a metalúrgica, que está praticamente abandonada para levar o maquinário. ‘‘Eles pegaram tudo como se fossem fiéis depositários. Se ele pagar, os empregados devolvem tudo’’, afirmou ontem a secretária da Pama, Izamar Barbosa, que também não recebeu um tostão pelos dois meses de trabalho. O aluguel do barracão e da casa onde morava o empresário também estariam atrasados, segundo Izamar.
A Folha não conseguiu localizar ontem Vicente Souza e Silva. O gerente da metalúrgica contou que ele tinha várias empresas irregulares. Um dos negócios seria comprar e vender jogadores de futebol. Segundo Cubas, ele fechou recentemente a empresa Grêmio de Futebol Paranaense, que funcionava num escritório na Rua Emiliano Perneta. ‘‘Lá ele ficou devendo para um monte de gente’’, disse.
O delegado de Piraquara, Darci Pacheco, afirmou que soube do caso, mas não foi aberto inquérito. ‘‘Não veio nenhuma denúncia para nós’’, disse. O delegado teria dito ao gerente que o empresário foi ‘‘esperto’’. Fez tudo sem se comprometer.

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