Curitiba - O veto do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao reajuste real do salário mínimo para 2003, previsto para esta semana, é uma medida acertada, acredita o empresário Élcio Ribeiro, vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP). Para ele, o governo não pode contigenciar um valor expressivo (R$ 5 bilhões) especificamente para o reajuste do salário mínimo, sendo que a qualquer momento o País pode precisar desse dinheiro numa situação de emergência.
Ribeiro justifica sua posição, dizendo que os trabalhadores têm seus salários regidos pelas convenções coletivas. Segundo o empresário, é através da negociação patrão-empregados que se fixa os salários mínimos de cada categoria.
Já o professor da FAE, de Curitiba, economista Gilmar Lourenço, acredita que o veto de FHC é só político. ''Está jogando para a comunidade financeira internacional e para o FMI'', declarou. Segundo Lourenço, mesmo que o presidente vete o reajuste em índices reais, o novo Congresso que será eleito este ano pode votar uma suplementação orçamentária exclusivamente para atender a necessidade de reajuste do salário mínimo.
Lourenço disse que o presidente FHC está dando um recado à comunidade financeira internacional que seu governo continua comprometido com o superávit das contas públicas.
Na opinião de Lourenço, o governo optou pela redução na taxa de juros, que provavelmente terá impacto positivo às vesperas das eleições, e não pelo reajuste real do salário mínimo.

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