Empresárias querem cota para sexo feminino
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segunda-feira, 28 de março de 2011
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Joice Roncaglio, vai entregar hoje para a presidente Dilma Rousseff um projeto que estabelece a cota mínima de 25% para a participação feminina nos conselhos e diretorias das empresas. O assunto também foi discutido ontem no 2º Encontro Sul Brasileiro da Mulher Empresária, que aconteceu em Curitiba. A presença das mulheres é cada vez maior no mercado de trabalho. No Estado, elas já são 52% do total dos empresários.
Ao contrário do que ocorre em alguns países da Europa, no Brasil não existe uma cota mínima para a participação da mulher em cargos mais elevados. ''As mulheres têm outra forma de gerenciar e vêm para fortalecer mais as empresas'', argumenta Joice. Ela acredita que, se o projeto for aprovado, haverá uma maior atuação das profissionais femininas, com mais participação no mercado de trabalho e também no cenário político. Segundo Joice, atualmente ainda há dificuldade de as mulheres ocuparem estes cargos de diretoria e também a remuneração delas é 30% menor que a dos homens.
As empresárias têm faixa etária média de 30 a 45 anos e atuam, primordialmente, no comércio. Cerca de 30% tem curso superior completo. E, hoje, ocupam 50% dos bancos escolares de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado. ''Com certeza, houve aumento da preparação das mulheres para ocuparem cargos executivos'', disse o professor de Administração e Negócios Internacionais da FAE, Cristian Kim. De acordo com ele, essa participação tem sido mais intensa nos últimos dez anos. As executivas atuam em todas as áreas mas, especialmente, em marketing, recursos humanos e finanças. E, os cursos preferidos por elas são a pós-graduação e o MBA.
A consultora de moda Elaine Caus, 46 anos, é uma das mulheres que atua como empresária na área de gestão e consultoria de moda há cinco anos. Ela atende proprietárias de confecção, lojistas e eventos. ''Acredito que hoje está um pouco mais fácil as mulheres ganharem espaço no mercado de trabalho'', disse. Hoje, ela já conta com 50 clientes.
Sônia Campos, 37 anos, atua como consultora na área de marketing. Até dezembro de 2010 era executiva da Paraná Clínicas e ocupava o cargo de superintendente de marketing e vendas. Ela resolveu sair da empresa para ter mais tempo para dedicar-se para sua primeira filha, que agora está com nove meses. ''A Paraná Clínicas é uma ótima empresa. Foi um aprendizado'', contou.
Ela comentou que hoje ainda há dificuldade para as mulheres ocuparem cargos de diretoria e, em meio a isso, existe o fator maternidade. ''Acredito que isso é um dos motivos para haver poucas mulheres em cargos executivos. Mas também existe preconceito e os salários pagos são menores do que os dos homens'', disse.


