Empresariado pede intervenção no porto
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sexta-feira, 02 de abril de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dirigentes de 45 entidades empresariais pediram ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, a intervenção federal no Porto de Paranaguá. O governo do Estado tem a delegação para administrar o porto e essa concessão vai até 2025. A intervenção, segundo os empresários e agentes portuários, foi a alternativa que restou após a tentantiva sem sucesso de abrir um canal de diálogo com a superintendência do porto para exportação da soja transgênica e de investimentos diretos no porto.
O pedido de intervenção foi pedido pelo empresário Wilen Mantelli, presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) durante audiência pública da Comissão de Fiscalização (CF), realizada na Assembléia Legislativa. Mantelli justificou que o Porto de Paranaguá não é importante apenas para o Paraná. ''Mas sim para oito estados brasileiros que dependem do porto paranaense para escoar seus produtos.''
O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Carlos Alberto Nóbrega, presente à audiência, manifestou sua preocupação com a falta de dragagem no porto. Ele lembrou que o superávit de receita do porto, da ordem de R$ 160 milhões, tão comemorado pela superintendência deveria ser destinado para a manutenção do porto.
De acordo com Nóbrega, no ano passado o porto não investiu mais do que R$ 4 mil em dragagem, quando o recurso necessário deveria ser bem maior. Ele vê com preocupação a paralisação da dragagem e também a falta de obras de manutenção, sendo que o porto tem recursos para isso.
Por conta da falta de dragagem, vários navios encalharam no ano passado e também este ano, obrigando as embarcações esperarem a maré alta para saírem. Esses incidentes vem gerando preocupação entre os armadores. Por conta disto, os comandantes de navios não estão mais carregando toda a capacidade das embarcações temendo novos encalhes. ''Esse tipo de procedimento está gerando muitos prejuízos aos exportadores porque o custo do navio é o mesmo, apesar do menor volume de carga embarcado'', explicou.
Os empresários apontaram como responsáveis por esse processo a falta de gerenciamento da superintendência do porto, que não tem feito manutenção necessária. Mantelli disse que os empresários brasileiros estão muito preocupados com a possibilidade do Porto de Paranaguá ser incluído numa lista negra de entidades internacionais. ''Uma vez, incluído nessa lista dificilmente os armadores escalam o porto para enviar seus navios ou então o deságio para cargas é muito alto, o que impõe mais perdas aos exportadores e donos da carga'', salientou.


