Curitiba - O conjunto de benesses da nova política industrial anunciada ontem pelo governo federal, batizada de Plano Brasil Maior, ainda ficou aquém das expectativas dos empresários do setor. As medidas são vistas como um primeiro passo, mas deveriam contemplar mais segmentos da indústria. A ideia seria uma reforma tributária abrangente que reduzisse o custo do investimento. O impacto do plano deve ocorrer apenas no médio e longo prazo. O Paraná deverá ser beneficiado nas áreas de confecção, móveis, construção civil e indústria automobilística, segundo especialistas ouvidos pela FOLHA. O agronegócio, que representa um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, ficou de fora.
''O setor produtivo estava ansioso esperando as medidas que, são acertadas e necessárias, mas deveriam abranger todos os setores industriais'', disse o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rommel Barion. Ele destacou que um dos setores que não foi contemplado é o de alimentos, apesar de sofrer com o aumento da importação no País. Defendeu ainda a redução da taxa de juros e a desoneração da folha para todos os setores, o que traria mais competitividade. ''Hoje temos um ataque de produtos importados nas prateleiras dos supermercados. O governo deu apenas o primeiro passo'', disse.
Barion considerou que é preciso avançar mais e aumentar os investimentos em infraestrutura. ''Quando o dólar estava alto, escondia as nossas fraquezas'', comentou. Barion acredita que o plano de medidas vai dar um certo estímulo e melhorar o ânimo do empresariado.
Um ponto que o vice-presidente considerou importante foi a intensificação de algumas medidas de defesa comercial, como antidumping e salvaguardas. ''Isso mostra preocupação com a desindustrialização que o país vem sofrendo'', disse. ''Esperamos que com essas medidas as indústrias consigam ser mais competitivas, qualificar os funcionários e inovar a produção'', afirmou.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, disse que as medidas foram anunciadas em um momento que o governo vinha sofrendo forte pressão dos empresários com a desindustrialização e com o real valorizado frente ao dólar.
''O plano atende os setores que estavam reclamando mais como confecções, couros, móveis, construção civil e automotivo'', destacou. No entanto, o impacto não será imediato e deve ocorrer daqui, pelo menos, um ano. Lourenço considerou que as metas para inovação também são muito tímidas.
''O plano não deixa claro como será feito tudo isso, nem quem vai pagar a conta, o que é uma incógnita'', afirmou. Ele destacou que a indústria nacional vem perdendo espaço com a redução da competitividade das exportações e o aumento das importações, o que desiquilibra a balança comercial.
Lourenço lembrou que o agronegócio não foi contemplado. ''É a locomotiva de crescimento da economia do Estado'', disse, acrescentando que o setor detém um terço do PIB do Paraná.
Para Lourenço, o plano ainda foi ''muito tímido e aquém das necessidades de transformação da economia brasileira''. As medidas, segundo ele, devem servir para ''apagar incêndios internos provocados pelos juros elevados e pelo real valorizado'', o que tem atrapalhado os investimentos e as exportações. ''Precisaria de uma reforma tributária abrangente que reduzisse os custos dos investimentos'', disse.

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