Empresariado está otimista, mas cauteloso
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) aponta que mais da metade dos empresários entrevistados confiam no crescimento das vendas da indústria no segundo semestre. A pesquisa foi endereçada a 80 grandes empresas do Estado entre os dias 24 a 29 de junho, sendo que 40 responderam. O resultado otimista, porém, não é um indicativo de que os empresários estão dispostos a fazer investimentos, o que demonstra falta de credibilidade no crescimento sustentado.
Entre os entrevistados, 57,5% disseram que as vendas no mercado interno vão crescer nesse período, 30% acreditam que vão manter o mesmo nível de vendas e 12,5%, mais pessimistas, acreditam que haverá redução nas vendas. A pesquisa diz ainda que para 40% dos entrevistados, os próximos seis meses deverão ter crescimento 16% maior em relação ao mesmo período do ano passado e 13,5% maior considerando o primeiro semestre deste ano. Para 8,2% dos empresários, não haverá redução nas vendas até o fim do ano.
Para o economista da Fiep, Maurílio Schimitt, se as vendas se comportarem conforme os prognósticos apresentados, a indústria do Paraná deverá recuperar os níveis de venda de 2002, quando as exportações promoveram um crescimento razoável da indústria. Este ano, também a indústria está sendo alavancada pelo crescimento das exportações dos setores do agronegócio e automotivo.
Segundo Schimitt, as indústrias estão com capacidade de investimentos exauridas. Daí o resultado da pesquisa que aponta que 52% delas não farão investimentos no segundo semestre e 44% manifestaram a intenção de investir. ''Isso sinaliza que o crescimento não está muito consolidado e o empresário quer mais garantias à frente como redução dos juros e da carga tributária para investir'', explicou o economista.
Schimitt salientou que os empresários estão resistindo em elevar os investimentos porque a expansão do mercado vem ocorrendo graças à expansão do crédito pessoal, que segundo o Banco Central foi de 26% este ano. ''Isso demonstra que o consumidor está comprometendo sua renda futura e não a renda presente, que seria um indicativo que o consumidor está com poder aquisitivo para ir às compras'', afirmou.


