Carmem Murara
Curitiba
Depois de um ano marcado pela turbulência econômica, que provocou longos períodos de baixa produção e alto desemprego, o empresariado paranaense recupera o ânimo e faz previsões otimistas para 2000. A 4ª Sondagem Industrial divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) revela que 75,76% do empresariado industrial paranaense tem uma visão favorável à recuperação da economia. A mesma pesquisa feita no ano passado mostrou que apenas 62% dos entrevistados responderam que 1999 seria um ano com boas expectativas.
A alteração nas previsões dos empresários se deve em parte à retomada dos negócios no segundo semestre, principalmente após setembro. Mas os números da pesquisa ainda mostram um empresariado receoso. O último levantamento feito em 97 mostrava que 80,3% dos entrevistados estavam otimistas.
A pesquisa foi encaminhada para 2.500 empresas em setembro e deste total, 201 responderam ao questionário. As perguntas eram relativas a assuntos internacionais, produtividade, competitividade, estratégias de venda e compra e ainda qualidade e infra-estrutura. A maior parte das 32 questões exigiam respostas fechadas. Segundo o presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, as 201 empresas representam um sexto da geração de emprego no setor industrial, o que corresponde a 57 mil empregos.
Entre os empresários que disseram que esperam um ano melhor, 39,1% informaram que pretendem fazer novos investimentos e 39,5% querem aumentar as vendas. O aumento de emprego foi apontado por 21,3% do total. ‘‘Cada vez empregamos menos e por isso temos que capacitar e treinar mais’’, afirmou o presidente da Fiep. Ele chegou a comentar que há quem assegure que a indústria será responsável por apenas 3% dos empregos em 2005.
Os 8,48% pessimistas, que responderam não acreditar num ano 2000 melhor, afirmam que devem ter redução de vendas (28,2%), redução de empregos (33,3%) e ausência de novos investimentos (38,4%). Quem vai investir pretende melhorar e modernizar tecnologicamente a fábrica. Esta resposta foi dada por 52,9% dos entrevistados. Eles querem investir também em produtividade (52,47% e qualidade (49,78%).
O empresariado também quer ficar longe dos financiamentos bancários. Setenta e três por cento das empresas pretendem fazer investimentos com recursos próprios. Apenas 11,2% disseram que precisarão recorrer a bancos.

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