Empresária do Paraná ganha prêmio nacional
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terça-feira, 07 de março de 2006
Da Redação 
A artista plástica Adriane Muller recebeu o Prêmio Nacional Mulher Empreendedora, na categoria empresa, concorrendo com outras cinco finalistas regionais, em cerimônia realizada ontem em Brasília. A iniciativa pretendeu buscar em todo o Brasil as dez melhores histórias de persistência, visão e sucesso de empreendedoras brasileiras em duas categorias: proprietária e associação. Esta é uma promoção do Sebrae em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres e a Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais do Brasil (BPW). As informações são da Agência Sebrae de Notícias no Paraná.
A história de Adriane chama a atenção por reunir as duas coisas: embora ela seja uma empresária, sua iniciativa empreendedora foi educar, treinar e inserir no mundo do trabalho 70 presos da Penitenciária Central do Estado, formando uma cooperativa para a qual ela passou a terceirizar a produção de peças artesanais de pedra sabão. ''Minha felicidade é ver a profissionalização da arte, mostrando que ela, junto com o poder da iniciativa, podem dar uma nova chance às pessoas'', afirma Adriane.
Entre 2004 e 2005, ao longo de 750 dias, como ela faz questão de frisar, Adriane conviveu com desafios que vão dos perigos de utilizar ferramentas cortantes entre os presos até a recusa, por alguns clientes, das peças artísticas fabricadas por penitenciários. ''Minha idéia surgiu porque era muito difícil encontrar mão-de-obra especializada para lidar com a pedra sabão na cidade, e decidi ensinar os presos, que são muitos: Piraquara tem 90 mil habitantes e seis penitenciárias. Estava estimulada com a possibilidade de fazer um projeto social.'', lembra.
A artista plástica montou, dentro da penitenciária, um centro de trabalho. Ensinou o polimento, corte e a matemática - para acertar nas medidas - aos presos e até explicou a história da arte até chegar na pedra polida. Produziu peças como saboneteiras, tabuleiros para xadrez, enfeites, brindes e artigos decorativos.
Mas foi com a encomenda de uma estátua de dois metros de altura, na qual foi esculpida a história da Bíblia, que o negócio ganhou projeção: a demanda cresceu e a produção, que antes era de uma média de 200 peças passou para cerca de 800, repassadas para pontos de vendas e comercializadas em feiras.
''Realizamos com a ajuda do Sebrae dois cursos de administração básica para artesãos e um dado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre cooperativismo. A partir disso, eles montaram uma cooperativa que trabalha com artesanatos feitos de papéis e hoje são remunerados, e fornecem para lojas, o que faz muito bem, é uma nova oportunidade.'', comemora Adriane.


