Empresária apela a Deus para vender
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sábado, 13 de dezembro de 1997
Cláudia Lopes Londrina 
Dorico da SilvaDe mal a piorA empresária Rosa de Matos: Antes, eu brincava que se conseguisse sair desse negócio com meu carro e a bolsa estava bom. Hoje, já vou ficar feliz se conseguir sair pelo menos com a bolsaA empresária Rosa Alice de Matos, proprietária do depósito de materiais de construção Planeta, em Londrina, resolveu apelar na tentativa de levantar a soma de R$ 25 mil e saldar as suas dívidas. Anteontem à tarde, ela pendurou uma faixa em frente à loja com a frase: Pelo amor de Deus compre aqui. Eu preciso pagar minhas contas.
O sonho da maioria dos empregados do País - de ser dono do próprio negócio - acabou virando um pesadelo na vida de Rosa. Há dois anos e meio, ela aceitou receber material de construção da empresa onde trabalhava na hora do acerto de contas. Como não conseguia vender a mercadoria, acabou comprando o depósito por R$ 40 mil. Desde então só pago dívidas, reclama.
Como não tinha capital de giro, a empresária recorreu aos bancos - e aos juros. Hoje, depois de ter vendido sua casa (R$ 60 mil), um terreno (R$ 15 mil), um carro (R$ 9 mil) e mercadorias no valor de R$ 17 mil, ainda deve R$ 25 mil. Trabalhei 25 anos como vendedora. Achei que seria fácil virar empresária. Mas há um ano as vendas vêm caindo mês a mês. Em relação ao ano passado, o movimento da loja caiu 80%, calcula Rosa. O povo está sem dinheiro para construir.
Quando conseguir liquidar o estoque quero dormir uma semana. Antes, eu brincava que se eu saísse do negócio com meu carro e a bolsa estava bom. Hoje, fico feliz se conseguir sair com a bolsa, diz ela, que está vendendo as mercadorias do depósito a preço de custo. Rosa, que no período da tarde é assessora de um vereador na Câmara Municipal, conta que levou muito calote nestes últimos anos. Recebi muito cheque sem fundo, diz ela, que paga R$ 870 de aluguel do prédio, situado na avenida Inglaterra, 1.111.


