Empresa vira alvo de operadora de celular
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quinta-feira, 01 de março de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Um mercado bastante explorado pelas operadoras de telefonia fixa começa agora a merecer maior atenção das empresas celulares. Trata-se do segmento corporativo, formado por empresas de todos os portes, que tem na mobilidade oferecida pelo celular uma ferramenta de trabalho. E com uma grande diferença em relação ao cliente pessoa física: a receita gerada por esse tipo de usuário é bem maior.
De olho nesse filão, as companhias estão criando departamentos de vendas e atendimento diferenciados para este público, além de planos tarifários mais flexíveis e serviços que cubram as necessidades de uma gama variada de profissionais. Acima de tudo, o que as operadoras buscam é aumentar a receita com um cliente que permanece mais tempo conectado à rede. Isso passa a ser determinante uma vez que a base total de assinantes é composta em maior parte por usuários do sistema pré-pago, cuja receita é menor se comparada ao pós-pago. Hoje, o pré-pago responde por 60% da base nacional de celulares, contra 40% do pós-pago, com estimativas de alcançar a proporção 80%-20% até 2005.
Outro aspecto que faz com que as companhias corram para abocanhar a maior fatia possível do mercado corporativo é a chegada de novos operadores a partir de 2002. É preciso garantir a fidelidade dos clientes para que eles não migrem para a concorrência, afirma o analista de wirelles da consultoria Yankee Group, Marcelo Moutinho. Ele destaca que os futuros competidores, que entram operando as bandas D e E, deverão focar nesse mercado, pois eles têm como vantagem competitiva a oferta de roaming internacional sem necessidade de troca de aparelho.
Enquanto a concorrência não vem, quem já está estabelecido corre para conquistar o cliente. Em Minas Gerais, por exemplo, Telemig Celular e Maxitel travam uma queda de braço. A primeira saiu na frente, com o lançamento de planos corporativos em junho do ano passado e a inauguração de um centro de negócios dedicado exclusivamente ao mercado corporativo, cuja construção consumiu R$ 150 mil. De acordo com o superintendente da Telemig Celular, Luiz Gonzaga Leal, 50 mil linhas já foram vendidas e a previsão é de pelo menos duplicar isso até dezembro. Embora os clientes pessoas jurídicas representem menos de 5% da carteira, eles já respondem por 15% do faturamento da operadora.
Para elevar essa participação, a empresa tem alguns milhões reservados para o desenvolvimento de soluções para o mercado corporativo. Leal não revela valores, mas assegura que esse será o ano dos aplicativos wap, que levarão para a tela do celular uma série de tarefas que antes só podiam ser feitas no microcomputador.
Apesar de só oferecer produtos específicos para o segmento corporativo sete meses depois, a concorrente Maxitel promete não ficar atrás. No início de fevereiro lançou o Alô Corporate Advanced, reformulando os serviços para o público empresarial disponíveis desde o ano passado, que se limitavam a desconto na compra do aparelho e no preço das chamadas. A operadora tem 50 mil assinantes corporativos nos três estados de sua área de concessão Minas Gerais, Bahia e Sergipe e também espera dobrar o volume até o final do ano.
O diretor de marketing da companhia, Alberto Ceccarelli, destaca que o esforço da Maxitel não é dirigido apenas para o crescimento da base de usuários, mas também para aumentar o tempo de utilização do aparelho. Queremos substituir a rede de telefonia fixa por soluções móveis, diz.
No eixo Rio-São Paulo o mercado corporativo é tão estratégico que as empresas nem dão informações sobre o assunto. A Telefônica Celular limitou-se a informar à Agência Estado que está fechando parcerias que serão decisivas para o posicionamento da operadora junto a esse segmento. Na Telesp Celular, o número de linhas dos clientes corporativos mais do que duplicou ao longo de 2000, mas a operadora não revela o total.
Nos estados do Paraná e Santa Catarina, a TIM Sul tem 40 mil assinantes corporativos e planos de dobrar o número até o final do ano. Hoje eles são apenas 3% do total de clientes, mas respondem por 10% da receita.
Não existem dados confiáveis sobre o tamanho desse mercado, mas uma coisa é certa: o potencial de crescimento é enorme, até porque ele foi pouco e mal explorado até agora. Com o desenvolvimento de aplicativos cada vez mais completos e o esperado aumento da velocidade no tráfego de dados via celular, o aparelhinho promete ser um grande aliado dos profissionais, principalmente aqueles que passam muito tempo fora do escritório.


