Empresa vale R$ 13,2 mi e multa custa R$ 18,7 mi
Assim como a Tradener, outro negócio da Copel é alvo de ação na Justiça Federal. Uma medida cautelar preparatória de ação civil pública questiona os contratos que a estatal assinou com a Escoeletric Ltda., empresa de montagem de máquinas e usinas.
De acordo com a advogada do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Giani Cristina Amorim, há problemas na criação da empresa em 1998, que tem participação acionária de 40% da Copel. ''Não há lei estadual específica autorizando a parceria da estatal para formar a Escoeletric.'' Além da Copel, fazem parte da composição acionária a Construtora Mogno Ltda., M.B.C. Participações Ltda. e PEM Engenharia S/A.
A impropriedade da parceria fica evidenciada, de acordo com Giani, com o primeiro contrato assinado em 26 de agosto de 1999. Nele, a estatal se compromete a transferir tecnologia, disponibilizando pesquisas e treinando funcionários da empresa. Técnicos da Copel também seriam cedidos à Escoeletric para repassar conhecimentos.
''A empresa tem zero de bagagem. Teve que absorver tudo da Copel, que é auto-suficiente em tecnologia'', diz a advogada. O segundo contrato, assinado em 27 de agosto do mesmo ano, é o de prestação de serviços. De acordo com o documento, a Escoeletric fica responsável pela consultoria, projetos, manutenção e assistência técnica de instalações elétricas, entre outros.
Os valores em torno dos contratos são altos. A Escoeletric tem um capital social de R$ 1 milhão. Mas se a Copel ou a empresa que vier a comprá-la quiser rescindir os contratos, a multa é de R$ 18,75 milhões. Se a opção for comprar a Escoeletric, o valor é de R$ 13,2 milhões. A medida judicial está tramitando na 5 Vara Federal de Curitiba. (Ellen Taborda, de Curitiba)





